Gilad Erdan, embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas, pediu esta terça-feira a demissão imediata do secretário-geral da ONU.
Na abertura da reunião do Conselho de Segurança, António Guterres tinha declarado que “é importante também reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vazio. O povo palestiniano tem estado sujeito a 56 anos de ocupação sufocante. Viram as suas terras devoradas por colonatos, assoladas por violência, a sua economia asfixiada, as suas populações deslocadas e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer. Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os terríveis ataques do Hamas e estes não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano”.
O secretário-geral da @UN @antonioguterres explica que os ataques do "Hamas não aconteceram num vazio", lembrando a "ocupação sufocante da Palestina" que não justifica "os terríveis ataques do Hamas" mas estes também "não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano". pic.twitter.com/211G4jHWp5
— esquerda.net (@EsquerdaNet) October 25, 2023
O secretário-geral da ONU classificou os ataques do Hamas como “atos de terror” e sublinhou que “nada pode justificar o assassínio, o ataque e o rapto deliberados de civis”.
Daqui tirou Erdan a ideia de que o secretário-geral da ONU “demonstra compreensão pela campanha de assassínio em massa de crianças, mulheres e idosos” e por isso “não está apto para liderar a ONU”.
No Twitter, escreveu ainda que “o discurso chocante do secretário-geral da ONU, na reunião do Conselho de Segurança, enquanto foguetes são disparados contra Israel, provou conclusivamente, sem qualquer dúvida, que o secretário-geral está completamente desligado da realidade na nossa região e que vê o massacre cometido pelos terroristas nazis do Hamas de uma forma distorcida e imoral”.
Também o Ministro das Relações Externas de Israel, Eli Cohen, questionou Guterres tendo-lhe perguntado “em que mundo vive” e anunciado que não se reunirá com ele porque “após o massacre de 07 de outubro, não há lugar para uma abordagem equilibrada”.
O responsável pela diplomacia israelita critica o pedido de cessar-fogo feito pelo dignitário da ONU dizendo que “a resposta proporcional ao massacre de 07 de outubro é a destruição total do Hamas. Não é apenas o nosso direito, é a nossa obrigação”.
Mariana Mortágua reagiu a esta situação no Twitter, escrevendo que "bastou dizer o óbvio para que António Guterres ficasse sob assédio do regime israelita. Face ao genocídio, são poucas as vozes que se ouvem pela paz e pelo direito internacional".
Para ela, "o Governo devia expressar apoio ao secretário geral da ONU". A coordenadora bloquista afirmou ainda a sua solidariedade para com António Guterres.
Bastou dizer o óbvio para que @antonioguterres ficasse sob assédio do regime israelita. Face ao genocídio, são poucas as vozes que se ouvem pela paz e pelo direito internacional. O @govpt devia expressar apoio ao secretário geral da @UN. Estou solidária com António Guterres.
— mariana mortágua (@MRMortagua) October 24, 2023