Segundo revela o jornal Correio da Manhã desta terça feira, mais de 700 famílias perderam as casas para os bancos, em Janeiro e Fevereiro de 2011, por não terem conseguido pagar o empréstimo à habitação. Estes casos são de 2009 e 2010, mas foram executados este ano.
Segundo a Deco, o número de famílias sobreendividadas que se dirigem àquela associação continua a aumentar, tendo nos dois primeiros meses do ano havido mais cem processos que em igual período de 2010.
Natália Nunes da Deco disse ao jornal que nos dois primeiros meses deste ano a associação foi contactada por mais de duas mil pessoas, abriram 612 processos para pessoas que “com grandes sacrifícios” poderão vir a resolver a situação de sobreendividamento, mas “a maioria já estava numa situação de gravidade tal que já não era possível salvar os bens dos credores, na maioria das vezes, nem a casa”, referiu.
O presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, disse ao jornal que nunca a organização tinha tido tantos contactos de pessoas a pedirem ajuda para salvar a casa, mas que “a Cáritas não consegue, de forma alguma, dar resposta às centenas de pedidos de ajuda ao pagamento de créditos à habitação que, nestes últimos meses, nos têm chegado”, refere.
Eugénio Fonseca refere que “estamos perante um caso em que a lentidão da Justiça tem sido socialmente benéfica, ou seja, não assistimos a um mar de despejos, porque os processos vão-se arrastando nos tribunais”.
Um dos últimos actos do actual Governo foi a introdução dos “despejos automáticos”, que certamente agravará a situação e irá provocar o “mar de despejos” a que se refere o presidente da Cáritas.