De acordo com João Cerejeira, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Minho, a escassez de mão de obra pode ser explicada pelos fluxos internacionais de trabalhadores imigrantes, que ficaram "praticamente congelados" devido à pandemia de covid-19.
"Há uma dificuldade porque ficaram praticamente suspensos os fluxos internacionais de trabalhadores, o que levou a uma queda da mão de obra imigrante, que habitualmente viria para ocupações com salários mais baixos e menos procuradas pelos trabalhadores portugueses", afirma o economista, citado pela agência Lusa.
O professor da Universidade do Minho assinala ainda que, a par da "menor entrada de imigrantes", principalmente em setores como a construção, também o envelhecimento da população contribui para a escassez de trabalhadores que tem sido referida pelas empresas.
"A população mais jovem é mais qualificada do que a mais velha e, portanto, não procura empregos com níveis de qualificação mais baixos", aponta João Cerejeira.
Por sua vez, o diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, José Reis, explica que, além, da imigração, "há alguma população ativa que é colocada fora do mercado de trabalho durante as crises".
"Em 2020, a taxa de subutilização do trabalho era de 14%, muito acima da taxa de desemprego, e superior em dois pontos à de 2019", avança.
Francisco Madelino, ex-presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), confirma que a pandemia "implicou o regresso de imigrantes", nomeadamente para o Brasil, contribuindo para a escassez de mão de obra em setores como a construção civil ou o turismo interno, que estão agora a retomar a sua atividade.
O professor no ISCTE refere que outro fator a ter em conta é "a menor entrada de jovens" e o envelhecimento do mercado de trabalho.
A falta de ofertas atrativas de emprego para as pessoas que ficaram desempregadas durante a pandemia é outro fator que pode explicar a falta de mão de obra, justifica o ex-secretário de Estado do Emprego Pedro Martins.
"Outro fator relacionado serão as preocupações com o risco de infeção, no local de trabalho ou nos transportes públicos, mesmo entre os vacinados", acrescenta Pedro Martins.