A coordenadora nacional do Bloco lembrou esta sexta-feira as declarações do primeiro-ministro na entrevista ao Expresso, no sentido de que “a economia tinha reagido melhor do que as previsões mais otimistas”. Catarina chamou a atenção “que a economia são também todos aqueles precários que foram despedidos de um momento para o outro e ficaram sem apoio”.
A dirigente bloquista assinalou que há ainda “tanta gente que não encontrou ainda emprego ou que, se encontrou, é com um salário mais baixo e com piores condições”.
Para Catarina Martins, é preciso “olhar o concreto” daqueles trabalhadores que “são os mais precários dos precários” e garantir duas coisas: “o apoio social que falta, por um lado, e mudar as leis do trabalho para que nunca mais ninguém fique com a desproteção brutal que se vê em tantas zonas do país”.
O Algarve é um caso “particularmente simbólico” neste aspeto, porque depende essencialmente do turismo, onde impera o trabalho precário e sazonal. A coordenadora bloquista assinalou que o desemprego no Algarve está 150% superior ao que era em 2019, “longe de podermos dizer que estamos num período de recuperação”.
A coordenadora bloquista defendeu que “só quando protegermos quem trabalha é que sabemos que é uma economia que se está a portar bem”. “Uma economia tem de servir quem trabalha, quem constrói a riqueza do país”, vincou.
Sobre a entrevista de António Costa, Catarina Martins lamentou que o primeiro-ministro não se tenha lembrado de abordar uma questão tão fundamental como a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS). E reforçou a necessidade de passar dos anúncios e das declarações de intenções para a efetiva criação de condições para que os profissionais queiram ficar no SNS.
O combate contra a precariedade, a defesa do emprego com direitos, o combate aos desvarios da banca e ao crime económico, a resposta à crise climática e a defesa intransigente do Estado Social são, de acordo com a dirigente bloquista, prioridades inquestionáveis para o Bloco de Esquerda.