EasyJet trata os trabalhadores em Portugal como trabalhadores de segunda

25 de julho 2023 - 11:56

Mariana Mortágua esteve com os tripulantes de cabine da EasyJet no último dos cinco dias de greve. O líder do sindicato faz uma avaliação "muito positiva" da paralisação que visa obrigar a empresa a negociar aumentos salariais.

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Mariana Mortágua com os tripulantes da EasyJet em greve no terminal 1 do Aeroporto de Lisboa
Mariana Mortágua com os tripulantes da EasyJet em greve no terminal 1 do Aeroporto de Lisboa. Foto António Pedro Santos/Lusa

A coordenadora bloquista Mariana Mortágua foi esta terça-feira ao aeroporto de Lisboa prestar solidariedade aos tripulantes da EasyJet em greve e acusou a empresa de aviação de tratar os trabalhadores em Portugal "como trabalhadores de segunda" quando chega a hora de pagar o salário.

"É uma grande companhia que chega a Portugal e diz que é uma companhia de bandeira, instala-se no aeroporto de Lisboa e consegue slots que eram da TAP e depois paga aos trabalhadores salários que são indignos", afirmou Mariana Mortágua aos jornalistas. Para a coordenadora do Bloco, "a Easyjet não pode chegar à Alemanha, França e Reino Unido e pagar aos seus trabalhadores dois, três, quatro mil euros e depois chegar a Portugal e pagar o salário mínimo ou mil euros".

É esta desigualdade salarial em relação aos colegas que operam na bases de outros países europeus que está na origem da luta dos tripulantes da EasyJet, sobretudo quando "é uma empresa que tem centenas de milhões de euros de lucro e afirma à boca cheia que as bases de Lisboa, Porto e Faro são as mais rentáveis que tem", prosseguiu Mariana Mortágua.

No último dia de greve, a coordenadora bloquista não esqueceu a atitude da empresa ao pôr em causa o direito à greve, pois não só "contactou trabalhadores para não fazerem greve, como tem até cometido ilegalidades quando foi à base de Faro convencer trabalhadores a vir a Lisboa para compensar a operação afetada pela greve", uma situação que foi alvo de denúncia à Autoridade para as Condições de Trabalho. Para Mariana Mortágua, trata-se de uma empresa que "não aumenta os salários e prefere aplicar os lucros a pagar multas para não cumprir a lei", tal como "prefere cancelar voos a dar condições de trabalho a estes trabalhadores".

"Não podemos continuar a aceitar ter uma economia de baixos salários", concluiu Mariana Mortágua, apelando ao Governo que faça "pressão para que a Easyjet saiba que Portugal não é um país de segunda".

SNPVAC faz balanço "muito positivo" dos cinco dias de greve

Em declarações à TSF, o líder do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) fez um balanço "muito positivo" desta greve que contou com uma adesão de "mais de 90%, mesmo contra tudo, desde uma desinformação total a ataques por parte da empresa, acusações gratuitas por parte da empresa, tentativas por parte da empresa de contornar a lei, e contornar a greve recorrendo a tripulantes de outras bases para poder colmatar as falhas que havia em bases como Lisboa e Porto".

A escolha do terminal 1 do aeroporto para esta concentração no último dia da greve não surgiu por acaso, mas "porque recordamos que a empresa iniciou a sua base em Lisboa no terminal 2 e, recentemente, passou para o terminal 1, o que demonstra a consolidação da marca como a segunda empresa, a segunda companhia em Portugal", prosseguiu Ricardo Penarroias durante a concentração onde se liam e ouviam palavras de ordem como "o salário português não chega ao fim do mês!", "Se a easyJet quer voar, vai ter de pagar!" ou "Se eu fosse francês, valia por mais três!".

O sindicalista enalteceu o esforço dos grevistas tendo em conta as "dificuldades que estão a passar, do transtorno que eles próprios estão a ter por causa das greves - a verdade é que não voando, não ganham -, sabem e têm consciência de que é a única maneira que a empresa tem de os ouvir".