A luta dos tripulantes da EasyJet para reivindicar condições de trabalho semelhantes às dos trabalhadores da empresa noutros países prossegue este domingo com o terceiro de cinco dia de greve. "Não é justo que um tripulante em Portugal ganhe menos 67% do que um tripulante em França ou na Alemanha. Não é o nível de vida de Portugal comparado com França que justifica esse diferencial. Estamos a falar de uma das bases mais rentáveis, rede essa que teve lucro no primeiro trimestre de 228 milhões. Os lucros têm de acompanhar as condições dos trabalhadores", disse à Lusa Ricardo Penarroias, o presidente do o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
Até agora, a adesão tem sido massiva, com o sindicato a estimar uma adesão em torno dos 90% no sábado. Na sexta-feira, como a empresa tinha cancelado antecipadamente cerca de 70% dos voos previstos, "dos 102 voos originalmente programados, 72 foram cancelados antes do período de greve e dos 30 remanescentes, 20 foram considerados serviços mínimos”, referiu o SNPVAC numa mensagem aos associados citada pela agência Lusa. E “dos restantes 10 voos não abrangidos nos serviços mínimos, seis foram realizados por chefias e quatro cancelados”.
Em comunicado, a empresa acusou o sindicato de pressionar os tripulantes a aderir à greve, com este a responder com os mais de 90% de associados que rejeitaram a proposta da empresa no início de julho. O sindicato devolve as acusações, afirmando que são "os representantes da Empresa que têm vindo a pressionar os Tripulantes de maneira a operar voos, não só em Faro como em Lisboa, "ameaçando" com o fecho daquela primeira Base".
E denuncia a substituição ilegal de grevistas, com o envio de tripulantes da base de Lisboa para operar voos afetos aos da base do Porto. O presidente do sindicato disse à Lusa que já contactou a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) "para a empresa pagar uma multa”, porque operar voos em dia de greve com tripulantes foram da base “é algo que não pode fazer”.
"O que assistimos no dia de hoje, com colegas posicionados para Genebra e de Faro para Lisboa, além do ataque perpetrado no dia de ontem através do press release da easyJet (não esquecendo notícias em tablóides estrangeiros…), torna claro que estamos no caminho certo", diz o sindicato aos seus associados.