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“É ridículo” o apoio à cultura em Portugal, considera o diretor do Teatro D. Maria II

Tiago Rodrigues sublinha que “não se trata de um apoio, trata-se de garantir um serviço público que está consagrado na Constituição e no qual não há investimento público”.
Tiago Rodrigues durante o ensaio da peça "Catarina e a beleza de matar fascistas", no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães, 17 de setembro de 2020 – Foto de José Coelho/Lusa
Tiago Rodrigues durante o ensaio da peça "Catarina e a beleza de matar fascistas", no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães, 17 de setembro de 2020 – Foto de José Coelho/Lusa

“Não precisávamos da pandemia para ser óbvio que em Portugal é preciso apoiar mais a cultura. Ou melhor, que é preciso finalmente apoiar qualquer coisa, na cultura. A pandemia veio apenas levantar o véu, revelar alguns problemas ”, afirmou o diretor do Teatro D. Maria II, à margem de um ensaio da peça “Catarina e a beleza de matar fascistas”.

Segundo a agência Lusa, Tiago Rodrigues afirmou que os números do apoio à cultura em Portugal são da “ordem do ridículo”, quando comparados com qualquer outro país europeu.

"Não se trata de um apoio, trata-se de garantir um serviço público que está consagrado na Constituição e no qual não há investimento público. Seria como praticamente não haver hospitais ou como praticamente não haver escolas. É da ordem do escândalo e é ridículo”, sublinhou.

O diretor do Teatro D. Maria II, que recebeu o Prémio Pessoa em 2019, assinalou que o público está a regressar ao teatro e apontou: “é um alerta para os senhores decisores políticos de que o eleitorado considera a cultura fundamental para a sua qualidade de vida e para a saúde democrática".

“Mas nós estamos na pré-história disso. Podia ser um alerta eventualmente na Alemanha e na França, para que as coisas melhorem um bocadinho e se dê um bocadinho de mais atenção. Em Portugal, é um alerta para que se dê finalmente alguma atenção a um setor que tem sido muito, muito negligenciado”, acrescentou.

O dramaturgo e encenador afirmou ainda que a “visibilidade” do setor na comunicação social “acaba por mascarar” a precariedade em que vive. “Temos muita visibilidade pública, mas isso não se traduziu ainda numa alteração fundamental da forma como o Estado defende o direito constitucional de acesso à cultura e à produção artística", disse.

A peça “Catarina e a beleza de matar fascistas” foi estreada neste sábado, 19 de setembro, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. E voltará a ser representada este domingo. Depois irá em digressão a Suíça, França e Itália, regressando a Portugal em fevereiro. Só será representada em Lisboa em abril de 2021.

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