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Estreia este sábado a peça “Catarina e a beleza de matar fascistas”, de Tiago Rodrigues

O espetáculo, com estreia em Guimarães, coloca-nos num contexto ficcionado, em 2028, com Portugal a ser governado pela extrema-direita. De acordo com o encenador e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, trata-se de uma “abordagem muito clara à ameaça da ascensão de populismos de extrema-direita”.
Peça “Catarina e a beleza de matar fascistas”, de Tiago Rodrigues
Peça “Catarina e a beleza de matar fascistas”, de Tiago Rodrigues

“É uma peça que nos coloca num contexto imaginário, ficcionado, para pensarmos sobre as nossas vidas e sobre o que poderá ser o futuro se não tivermos cuidado e não refletirmos e agirmos no presente”, adiantou Tiago Rodrigues em declarações à agência Lusa.

Segundo o encenador e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, trata-se de uma “abordagem muito clara à ameaça da ascensão de populismos de extrema-direita, de tendência fascista, para não lhe chamar efetivamente fascistas”.

Tiago Rodrigues referiu ainda que a peça alerta para a urgência de a sociedade se questionar sobre a forma como a democracia se pode relacionar “com essa ameaça que não é democrática, que é mesmo antidemocrática”.

O espetáculo acaba com um longo discurso de um membro do partido então no poder, que, em 2020, contava somente com um deputado na Assembleia da República, tendo, posteriormente, eleger 117, garantindo a maioria absoluta. Trata-se de um partido que fala numa nova República, numa nova Constituição e em mais de meio século de um país “governado por bandidos” e que, então no poder, critica “as minorias que não respeitam as maiorias”.

Questionado se este discurso foi escrito "à medida do Chega", o vencedor do Prémio Pessoa 2019 clarificou que escreveu “um discurso para uma personagem que está nesta peça, um populista de extrema-direita que chegou ao poder”. “Não dou um nome ao movimento, o mais importante não é o nome do movimento, mas sim as ideias desse movimento”, adiantou.

Em causa está um discurso pejado de ideias “antidemocráticas” que “passaram a existir com uma presença esmagadora desde as últimas legislativas, independentemente do nome que as carrega”, continuou, sublinhando que “nós temos de dizer que essas ideias não são normais, não são aceitáveis”.

Assumindo que o título da obra e o seu conteúdo são uma “provocação”, Tiago Rodrigues esclareceu que o objetivo da peça é “provocar um debate” e que o objetivo “não é ofender”. “Esperamos que não se ofendam, o nosso desejo é oferecer prazer, mas não apaziguar. No fundo, levamos a tragédia ao palco para não termos que a viver na vida”, frisou.

O espetáculo, que estreia este sábado no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, tem nova sessão no domingo. Ambas as sessões estão esgotadas. Posteriormente, a peça será exibida nos palcos da Suíça, França e Itália, até regressar a Portugal, nomeadamente ao Porto. Em abril de 2021 será apresentada em Lisboa.

António Fonseca, Beatriz Maia, Isabel Abreu, Marco Mendonça, Pedro Gil, Romeu Costa, Rui M. Silva e Sara Barros Leitão compõem o corpo de oito atores portugueses desta produção. A cenografia é de F. Ribeiro, os figurinos assinados por José António Tenente, o desenho de luz é de Nuno Meira e a sonoplastia está a cargo de Pedro Costa.

Na página de internet do Teatro D. Maria II, a peça é apresentada da seguinte forma:

Esta família mata fascistas. É uma tradição com mais de 70 anos que cada membro da família sempre seguiu. Hoje, reúnem-se numa casa no campo, no Sul de Portugal, perto da aldeia de Baleizão. Uma das mais jovens da família, Catarina, vai matar o seu primeiro fascista, raptado de propósito para o efeito. É um dia de festa, de beleza e de morte. No entanto, Catarina é incapaz de matar ou recusa-se a fazê-lo. Estala o conflito familiar, acompanhado de várias questões. O que é um fascista? Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor? Podemos violar as regras da democracia para melhor a defender? Entretanto, surge por vezes o fantasma de uma outra Catarina, a ceifeira Catarina Eufémia que foi assassinada em 1954 em Baleizão durante a ditadura fascista. Catarina Eufémia aparece durante a noite, enquanto a família dorme, para conversar com o fascista de 2028 que aguarda o seu destino.

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