À-dos-Melros: “A Cimpor está a destruir-nos”

23 de outubro 2022 - 16:48

Os habitantes desta localidade de Alverca do Ribatejo reclamam que há “paredes a cair”, as suas casas “começaram a rachar” e outras casas “têm o chão levantado” por causa da pedreira do Bom Jesus. Esta vai alargar a área de exploração da Pedreira até 70 metros das suas casas pelo que temem pela “segurança das pessoas e bens”.

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À-dos-Francos. Foto da ASAP - Associação para Salvarmos as Aldeias da Pedreira.
À-dos-Francos. Foto da ASAP - Associação para Salvarmos as Aldeias da Pedreira.

A população da povoação de À-dos-Melros, em Alverca do Ribatejo, Vila Franca de Xira, lançou uma petição online que conta já com mais de meia centena de subscrições. Contestam os efeitos da exploração de uma pedreira pela Cimpor e pedem ajuda na divulgação do seu “grito de auxílio”.

No texto, explicam que “À-dos-Melros tem sido um bom lugar para viver, tranquilo e suficiente perto de Alverca do Ribatejo e de Lisboa, pelo que a população tem investido nas suas casas, recuperando e melhorando as mesmas” e que “há muitos anos atrás veio instalar-se bem perto a Pedreira do Bom Jesus, propriedade da Cimpor”. Esta “veio trazer incómodos diversos à população”, nomeadamente “pelas frequentes denotações que passaram a existir, mas também pela constante nuvem de pó que paira sobre a povoação e que entra pela casa dos moradores”.

Dizem que têm aceitado os inconvenientes mas “há cerca de dois anos a ano e meio esta situação agravou-se substancialmente” com o início da exploração da pedreira. Segundos os peticionários isto causou efeitos que “vão sendo cada vez mais avassaladores”: casas “começaram a rachar” e há “paredes a cair”, tal como os muros, outras casas “têm o chão levantado”.

Salientam que isto acontece atualmente, com a Pedreira a laborar a mais de 200 metros das suas casas mas será pior porque a Cimpor pretende alargar a área de exploração da Pedreira até 70 metros das suas casas. Consideram que este avanço “põe seriamente em risco a segurança das pessoas e bens” e “mesmo a sua vida”.

Pretendem “manter o direito a viver nas suas casas”, um direito “constitucionalmente protegido”. Os habitantes da localidade asseguram que há meses que tentam mudar a situação e já recorreram “a todas as entidades competentes: Direção-Geral de Energia e Geologia, Ministro do Ambiente e Transição Energética, Presidente da República, Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e seus Vereadores” mas continuam sem ver “qualquer medida preventiva e concreta a ser tomada, sendo que cada vez sentimos mais as nossas vidas em risco”.

Bloco solidário com a população

A concelhia de Vila Franca de Xira do Bloco de Esquerda manifestou recentemente a sua solidariedade com a população e comprometeu-se a “prosseguir a articulação” com esta “com vista à resolução do problema”. Em comunicado, salienta que os seus eleitos na Assembleia Municipal tomaram posição em defesa da suspensão da atividade da Pedreira do Bom Jesus na área confinante com a localidade de A-dos-Melros.

Lembra ainda que, depois de uma visita de eleitos locais e contacto com os moradores, o Grupo Parlamentar do Bloco questionou a governo sobre as medidas que tomará “para garantir que a actividade da Pedreira do Bom Jesus é compatível com a vida e com as infraestruturas habitacionais na proximidade” e se prepara “alterações à legislação em vigor para as actividades nas pedreiras no sentido de maior proteção das populações, nomeadamente ampliando as distâncias para as povoações ou outras medidas restritivas”.