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Doclisboa’22 estreia filme sobre Novas Cartas Portuguesas

Luísa Sequeira e Luísa Marinho apresentam em outubro, em estreia mundial, “O Que Podem as Palavras”. O filme coloca as escritoras Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa em diálogo, enquanto refletem sobre o processo criativo e o impacto da singular obra.
Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno durante o julgamento. Foto publicada na página pessoal de facebook de Maria Teresa Horta.

A direção do DocLisboa anunciou esta quarta-feira os primeiros filmes da programação da 20.ª edição do festival de cinema, que decorrerá de 06 a 16 e outubro. Entre as obras em exibição encontra-se o documentário "O que podem as palavras", das realizadoras Luísa Sequeira e Luísa Marinho.

"O filme coloca as escritoras portuguesas Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa em diálogo, enquanto refletem sobre o processo criativo e o impacto da singular obra literária 'Novas Cartas Portuguesas' nas suas vidas e no movimento feminista no contexto internacional", lê-se na sinopse.

 

Em Novas Cartas Portuguesas, publicado em 1972, Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa desafiam a ditadura e a ordem patriarcal, as convenções sociais do país. Na obra são denunciadas as várias opressões a que as mulheres estavam sujeitas, o sistema judicial que perseguia as mulheres escritoras, bem como a Guerra Colonial e a violência fascista. Os fascistas consideraram o conteúdo das Novas Cartas Portuguesas “insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública” e ameaçaram com uma pena entre seis meses a dois anos de prisão. Já depois do 25 de Abril, em 7 de maio de 1974, as autoras acabaram por ser absolvidas e o livro foi considerado “obra de arte, de elevado nível”.

Entre a programação agora anunciada figuram também outros quatro filmes: "DIO: Dreamers Never Die", sobre o músico Ronnie James Dio; "Dreaming Walls", sobre o mítico Hotel Chelsea, em Nova Iorque; "Still Working 9 to 5", dedicado ao filme de 1980 protagonizado por Jane Fonda, Dolly Parton e Lily Tomlin, sobre a novela de Patricia Resnick, com realização de Colin Higgins; e "Dancing Pina", sobre o trabalho de duas companhias de dança em torno da obra da coreógrafa Pina Bausch.

O DocLisboa deu ainda a conhecer alguns dos filmes da programação "Da Terra à Lua", entre os quais "Everything will be ok", de Rithy Panh, sobre democracia e totalitarismo, feito apenas com recursos a pequenas figuras e bonecos, e que foi premiado este ano em Berlim.

O festival já confirmou as presenças do realizador cambodjano Rithy Panh, da realizadora brasileira Maria Augusta Ramos, com o filme "Amigo Secreto", que segue o caso de investigação jornalística 'Vaza Jato', e do antropólogo franco-brasileiro Vincent Carelli, a propósito do filme "Adeus, Capitão", correalizado com Tatiana Almeida, sobre Krohokrenhum, um líder indígena do povo Gavião, do estado brasileiro do Pará.

Conforme destaca a agência Lusa, a a estes filmes, na secção "Da Terra à Lua", somar-se-ão "The Fire Within: Requiem for Katia and Maurice Krafft", documentário de Werner Herzog dedicado a um casal de vulcanologistas franceses, e "To the End", de Rachel Lears, sobre quatro ativistas ambientais e a proposta do 'Green New Deal' sobre alterações climáticas nos Estados Unidos.

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