Cerca de 200 pessoas encheram completamente o auditório do Centro Cultural de Cascais na noite de terça-feira, para protestar contra o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que foi discutido e aprovado pela Assembleia Municipal.
O Plano de Pormenor prevê uma mega-urbanização para a Quinta dos Ingleses e, segundo toda a oposição, viola as leis ambientais e vai prejudicar a qualidade de vida dos munícipes. Foi aprovado por apenas um voto: 19 votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e 18 votos contra de toda a oposição – PS, CDU, Bloco de Esquerda e movimento independente Ser Cascais.
Suspensão da votação só foi rejeitada pelo “voto de qualidade”
Antes, o Bloco de Esquerda apresentara um requerimento para a suspensão do ponto da ordem do dia sobre a aprovação do Plano de Pormenor, após a discussão e votação da iniciativa referendária sobre esta matéria, proposta por via do Projeto de Deliberação apresentado na mesa em conjunto com o requerimento. A suspensão foi rejeitada apenas pelo “voto de qualidade” do presidente da mesa, já que nos votos empatou.
O Plano de Pormenor prevê uma mega-urbanização para a Quinta dos Ingleses e, segundo toda a oposição, viola as leis ambientais e vai prejudicar a qualidade de vida dos munícipes.
Na sua intervenção na Assembleia, o Bloco de Esquerda pôs em evidência as contradições do presidente da Câmara, Carlos Carreiras, que já se opôs ao plano que agora fez tudo para aprovar. Na verdade, em 2001, Carlos Carreiras, junto com o movimento de cidadania MovCascais, era contra “o assomo de betão na conhecida Quinta dos Ingleses”, quando hoje o Carlos Carreiras Presidente da Câmara Municipal de Cascais desenvolveu todos os esforços para aprovar um plano idêntico.
O Bloco acusou também Carlos Carreiras de, “num exercício orweliano”, querer convencer a população de Cascais que há interesses mais interessantes – os do grande capital imobiliário – que os interesses e a qualidade de vida de toda a população”.
Pires de Lima chamou a polícia
Um momento particularmente quente foi o do voto da presidente da junta de Carcavelos e Parede, Zilda Costa da Silva, que é do partido da maioria, mas que vira aprovada por unanimidade na assembleia da sua freguesia a rejeição do Plano de Pormenor. Nesse momento, o público manifestou-se com gritos de “traidora”, “bandidos”, “decepção”.
Diante do protesto, o presidente da Assembleia Municipal, que é o ministro António Pires de Lima, ordenou a retirada do público e solicitou a intervenção da PSP. Em protesto, os deputados da CDU e do Bloco abandonaram a sala.