Desigualdade

Diferença salarial média entre géneros era de 18,2% o ano passado

24 de fevereiro 2025 - 11:37

Um estudo da CGTP conclui que “as condições de vida das mulheres trabalhadoras têm-se agravado fortemente com o custo de vida a aumentar, o acesso à habitação cada vez mais dificultado e os serviços públicos a degradarem-se por opção e ação deliberada do Governo”.

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Ilustração da CGTP.
Ilustração da CGTP.

Um estudo da CGTP, divulgado esta segunda-feira, conclui que, no ano passado, o salário médio líquido das mulheres era menos 18,2% do que o dos homens, que cerca de 64% das trabalhadoras ganham um salário base bruto até 1.000 euros por mês e que um quinto auferia apenas o salário mínimo nacional.

A CGTP socorre-se dos números do Instituto Nacional de Estatística que mostram que, em novembro do ano passado, havia 1.996.162 mulheres trabalhadoras, 63,8% das quais recebiam salários base até 1.000 euros brutos por mês. 377 mil mulheres, 19% do total, ganhavam só o salário mínimo nacional de 820 euros.

Em comparação, havia 59,1% dos 2.354.282 trabalhadores homens a ganhar até 1.000 euros no mesmo período. E o salário médio líquido destes era 1.311 euros, enquanto o das mulheres era de 1.069. Uma diferença de 18,2%.

O mesmo documento nota que "este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas" com as mulheres a ganharem entre quadros superiores menos 700 euros (um diferencial de 26% que se agravou face a 2021 e 2022).

Em termos de precariedade as mulheres tinham 16,2% de empregos precários e os homens 15,5%, sendo a prevalência da precariedade "particularmente elevada entre as trabalhadoras mais jovens": 52,5% das trabalhadoras com menos de 25 anos e 24,9% entre os 25 e os 34 anos eram precárias. As mulheres eram também a maioria das pessoas desempregadas (51%) mas apenas 44% delas tinham cobertura social de desemprego.

O estudo indica ainda que "os salários baixos levam muitas trabalhadoras a ter que recorrer a mais do que um trabalho para conseguirem fazer face ao custo de vida". Assim, no último trimestre de 2024, "cerca de 125 mil trabalhadoras tinham uma segunda atividade profissional".

Conclui-se que "as condições de vida das mulheres trabalhadoras têm-se agravado fortemente com o custo de vida a aumentar, o acesso à habitação cada vez mais dificultado e os serviços públicos a degradarem-se por opção e ação deliberada do Governo". Por outro lado, “nos primeiros seis meses de 2024 os lucros líquidos dos grandes grupos económicos e financeiros atingiram os 32 milhões de euros por dia”.

O documento é da responsabilidade da Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP e o seu objetivo é assinalar a semana da igualdade, que a central sindical celebra entre os dias 5 e 12 de março. E levará a muitos pontos do país iniciativas sob o lema "Igualdade no trabalho. Liberdade na vida – Tempo de luta. Futuro de paz" e o próprio 8 de março, Dia Internacional da Mulher.