Israel

“Dia de resistência”: Israelitas assinalam nove meses de guerra com protestos contra Netanyahu

07 de julho 2024 - 14:42

Milhares de pessoas estão a manifestar-se e a bloquear estradas para exigir a demissão do Governo de Netanyahu e um acordo de cessar-fogo que permita a libertação dos reféns.

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Manifestação em Telavive no sábado
Manifestação em Telavive no sábado. Foto Abir Sultan/EPA

No dia em que passam nove meses desde os ataques do Hamas no sul de Israel e o início do genocídio em Gaza, milhares de pessoas, incluindo familiares dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza Gaza, participam em dezenas de protestos em Israel, cortando estradas e linhas de caminho de ferro e manifestando-se à porta de casa de governantes e deputados. Em dezenas de rotundas organizaram-se marchas lentas à sua volta para parar o tráfego. Os organizadores dizem que o objetivo é “parar o país para colocar uma pressão sem precedentes sobre o governo”. No sábado também houve manifestações, com milhares de pessoas concentradas em frente ao complexo militar onde está sediado o Ministério da Defesa.

No “dia de resistência” marcado para este domingo, o ponto alto dos protestos deve ocorrer ao fim da tarde com manifestações em frente à sede da central sindical Histadrut e do Ministério da Defesa em Telavive, esta organizada por familiares dos reféns. Também em Jerusalém são esperados protestos em frente à residência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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“Já passaram nove meses desde o 7 de outubro e ainda estamos com o mesmo governo que assistiu a este fracasso inimaginável”, afirmou Eran Schwartz, o líder da coligação Israel Democracy HQ – Hofshi B'Artzenu (“Livres na nossa pátria”), criada no início de 2023 para fazer oposição às políticas de Netanyahu, cujos ataques ao sistema judicial e aos media veem como sinais de querer transformar o país num Estado autoritário. Os organizadores dos protestos prometem que não vão parar até que sejam convocadas eleições antecipadas.

O diário Haaretz relata um protesto que bloqueou a passagem do metro de superfície em Jerusalém e foi reprimido pela polícia causando em ferido. Uma das manifestantes, nos últimos meses de gravidez, foi arrastada pelo chão pela polícia. “Temos um governo que não está a fazer o que é preciso para trazer os reféns para casa. Eu tento sempre ser otimista, mas tenho consciência do que se passa. Há alguém que tem interesse em sabotar um acordo mesmo quando se chega à fase final das negociações. Por isso, enquanto não o acordo não for fechado, continuaremos aqui”, afirmou Gali, já recomposta.

Em várias cidades o dia assistiu a cortes de estradas e a polícia tentou desimpedi-las, acabando por deter alguns manifestantes. Os ministros Yoav Kisch, Yoav Gallant, Miri Regev, Israel Katz, Nir Barkat, Yitzhak Wasserlauf e Ron Dermer tiveram manifestações à porta de casa, bem como o presidente do Knesset, Amir Ohana, e Tvika Foghe, ambos do partido de extrema-direita Poder Judeu, ou os deputados do Likud Eli Dallal e Shalom Danino.  

No protesto em frente à casa do líder da central sindical Histadrut, Arnon Bar-David, que apela também a uma greve geral para paralisar a economia do país, marcou presença o pai do refém Nimrod Cohen. “Sabemos que após muitas tentativas começa a ganhar forma um acordo, e já estamos a ouvir ministros a gritar ameaças e a a dizer que esperam que fracasse”, disse Yehuda Cohen ao Haaretz.