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Dezenas de milhares de pinturas rupestres descobertas na Amazónia

A descoberta de uma das maiores coleções de pinturas da idade do gelo mostra ao mundo a representação de animais e humanos que viveram há cerca de 12.500 anos.
Pintura rupestre fotografada em San José del Guaviare, Colômbia, em 2012. Foto de Luis Alveart/Flickr.
Pintura rupestre fotografada em San José del Guaviare, Colômbia, em 2012. Foto de Luis Alveart/Flickr.

Uma equipa de investigadores britânicos e colombianos anunciou a descoberta de um enorme conjunto de pinturas rupestres em Serranía de la Lindosa, uma zona da floresta amazónica sob controlo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A descoberta já tem um ano mas foi mantida em segredo devido à gravação de um documentário do Channel4 sobre a região, que estreia em dezembro.

Em 13 quilómetros de rocha, pinturas com uma idade estimada em cerca de 12.500 anos representam seres humanos, animais, alguns já extintos como o mastodonte e o palaeolama, e figuras geométricas.

José Iriarte, professor de Arqueologia na Universidade de Exeter, foi o líder da expedição que teve fundos do Conselho Europeu de Investigação. Ao The Guardian, mostrou-se emocionado com a descoberta: “estamos a falar de várias dezenas de milhares de quadros. Vai demorar gerações para os registar… Sempre que se dá uma volta, encontra-se uma nova parede com pinturas.”

E o investigador, que acha que ainda há muito mais por descobrir na zona, acrescenta: “as pinturas são tão naturais e tão bem feitas que há muito pouca margem para dúvida que estamos a ver, por exemplo, um cavalo. O cavalo da idade do gelo tinha uma cara pesada, selvagem. É tão detalhada que até podemos ver o pelo do cavalo. É fascinante”.

A apresentadora do documentário, a arqueóloga Ella Al-Shamahi, também se mostra impressionada. Por exemplo com a dimensão das pinturas e com a sua posição em lugares cimeiros das escarpas, algumas das quais só se conseguem ver com a ajuda de drones. “Uma das coisas mais fascinantes foi ver a megafauna da idade do gelo porque é um marcador do tempo. Penso que as pessoas não compreendem que a Amazónia mudou o seu aspecto. Nem sempre foi esta floresta tropical,” esclareceu.

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