Pelo segundo ano consecutivo, o Deutsche Bank falhou os testes de stress da Reserva Federal norte-americana. Dos 32 bancos analisados, só o Santander também chumbou, pelo terceiro ano consecutivo. Estes testes que analisam a resistência da banca face a eventuais choques financeiros começaram após a crise financeira de 2008 para assegurar que a capitalização dos bancos consegue absorver eventuais crises e continuar a financiar a economia.
No mesmo dia, o banco alemão foi também apontado pelo FMI como “o principal contribuinte líquido para os riscos sistémicos, seguido do HSBC e do Credit Suisse”. O relatório acrescenta que os riscos internos do Deutsche Bank são os que mais provavelmente poderão contagiar o resto do sistema financeiro.
Esta quinta-feira, seguindo o aviso do FMI e o chumbo da reserva federal, as ações do Deutsche Bank abriram os mercados a cair cerca de 4%, arrastando para perdas a generalidade da banca europeia, com destaque para o italiano Unicredit (-5%) e o alemão Commerzbank (-3%).
Na avaliação do estado da economia alemã, o FMI lembra que embora Berlim seja “campeão em dar receitas para reformas estruturais dentro da União Europeia, também precisa de uma grande dose do mesmo remédio em sua casa”. O FMI recomenda o aumento da idade de reforma dos alemães, para lá do atual objetivo dos 67 anos em 2029, e a aposta na formação dos atuais e futuros imigrantes a trabalhar no país, bem como na maior participação das mulheres no mercado de trabalho, melhorando a rede de apoio às crianças até aos 3 anos, em que a Alemanha gasta menos que a média da OCDE e a procura excede em muito a oferta.