Os números oficiais indicam que, num ano, aumentaram significativamente as pessoas inscritas no IEFP como desempregadas. De novembro de 2019 a novembro de 2020 houve um crescimento de 30,2%. Depois de um forte crescimento durante o período de confinamento, entre março a abril, o desemprego ter-se-ia mantido estável até setembro e estaria agora a descer. Em outubro e novembro teria baixado 2,9%, o que quer dizer menos 12 mil inscritos.
Mais do que medidas como o lay-off simplificado ou de fenómenos como uma retoma económica rápida, a alteração estatística explica-se pelo aumento de cursos de formação profissional. O Jornal de Notícias fez as contas e falou com o Ministério do Trabalho, que justifica: "Esta tendência tem resultado quer do abrandamento dos fluxos de novas inscrições, quer da aceleração dos fluxos de saída, onde se incluem quer as colocações em emprego, quer os encaminhamentos para medidas ativas de emprego e formação". O número de inscritos em programas ocupacionais e de formação é o maior em quatro anos, atingindo os 108 mil.
Segundo o mesmo órgão de comunicação social, o aumento do desemprego é maior no Algarve e em Lisboa e Vale do Tejo. Os 34 concelhos onde o desemprego cresceu mais de 50% situam-se nestas regiões. Destaque para Odivelas, Faro, Loulé, Amadora, Albufeira, Vila Franca de Xira, Loures, Oeiras e Seixal. Em termos absolutos, Sintra é o concelho em que mais pessoas perderam o emprego em 2020. Num ano passou de 8.000 desempregados para 14.000. Lisboa é o concelho em segundo lugar: foram mais cerca de 5.000 os inscritos neste período.
Lisboa e Vale do Tejo foi igualmente a região onde mais foram criados programas ocupacionais para desempregados: mais 37%.
Retrato do desemprego Covid
Os números apresentados por esta fonte permitem ainda traçar um retrato de quem mais perdeu emprego em 2020. Nem todas as profissões foram atingidas da mesma maneira e o turismo foi dos mais afetados: o desemprego entre os trabalhadores dos “serviços pessoais” aumentou 44%. Também houve mais mulheres a perder emprego, 51 mil contra 41 mil homens. E os licenciados têm sido menos atingidos pela vaga.
A maior parte dos despedimentos coletivos registaram-se em micro e pequenas empresas (79%). Aliás, em 2020 o número de despedimentos coletivos atingiu o máximo desde 2014. No ano passado, até novembro, houve 650. Em 2014 tinham sido 664.