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Desde o início da pandemia que o setor da Cultura apresenta propostas

Depois da resposta do primeiro-ministro às críticas sobre a ausência de medidas para o setor no Plano de Recuperação e Resiliência, os representantes do setor afirmam que “era desnecessário o primeiro-ministro escrever uma resposta quando não tem nada para dizer".

A carta enviada ao primeiro-ministro na sexta-feira e publicada no jornal Público estranhava que “a cultura não esteja presente, nas suas variadas áreas", na versão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que se encontra em consulta pública. 

Numa resposta publicada este sábado, o primeiro-ministro argumenta que o PRR não foi planeado para o setor, mas sim para a transição digital e ambiental, mas que são “bem-vindos os contributos” até 1 de março, quando termina a consulta pública do programa.

"O projeto PRR foi colocado de novo em consulta pública, precisamente para poder ser objeto de leitura crítica, mas sobretudo para ainda poder beneficiar de novas propostas", escreveu António Costa.

Para a Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénicas, o primeiro-ministro "escusa-se a assumir a sua responsabilidade, e admite que não sabe o que colocar" no PRR, escreve a Lusa.

"Era desnecessário o primeiro-ministro escrever uma resposta quando não tem nada para dizer", comentou a dirigente Amarílis Felizes.

A mensagem de António Costa "não deveria ser dirigida aos agentes da cultura, mas a todos os portugueses, porque o setor deve ser estratégico para o país", acrescentou.

"Todos os setores foram afetados pela pandemia, mas a cultura foi um dos mais afetados. O choque está a ser particularmente grave. Há muita desregulação laboral, e é preciso medidas e propostas para a sua recuperação", apelou, acrescentando que "o facto de o Governo não ter em conta essas propostas no PRR é uma falha grave".

E relembra que as estruturas subscritoras da carta aberta publicada na sexta-feira "têm estado a apresentar várias propostas, e mostrado disponibilidade para contribuir".

A Rede - Associação de Estruturas para a Dança, outra das entidades culturais subscritoras, contactada pela Lusa, lembrou que têm estado "desde sempre disponíveis para contribuir com propostas".

"Tivemos razões para subscrever aquela carta aberta, como todas as outras entidades e artistas", vincou Sara Goulart.

Também a Plataforma do Cinema realça a ausência de visão estratégica: "A resposta do Sr. primeiro-ministro confirma, pois, que não existe na visão estratégica do Governo para o relançamento da economia nacional e para a intervenção estruturante a médio prazo nas áreas em questão, uma compreensão da Cultura como uma área transversal e necessária"

"Em todo o caso, e independentemente da apresentação de propostas pelos diversos agentes da Cultura e das Artes, entendemos ser da máxima importância que se esclareça qual foi o papel do Ministério da Cultura no processo de elaboração do documento em causa. Foram apresentadas outras propostas para inclusão da Cultura no PRR? Se sim, o que levou à sua exclusão? Se não, como se justifica o papel da Ministra da Cultura?", questiona a Plataforma do Cinema.

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