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Desde o início da covid-19, SNS perdeu 842 médicos

Administração do Sistema de Saúde diz que neste período se aposentaram 471 médicos e foram contratados 378, sem contar internos. Catarina Martins escreve no twitter que “o SNS não pode ficar resignado à perda de profissionais para o privado”.
Covid-19 hospitais - Foto CGTP
Covid-19 hospitais - Foto CGTP

O jornal “Público” deste sábado destaca que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) perdeu 842 médicos desde o início da covid-19, em março passado, e até outubro. Os dados foram recolhidos no Portal da Transparência do SNS e revelam a dimensão do problema, num momento em que o número de profissionais de saúde, em particular médicos, são essenciais no combate à pandemia e na defesa do SNS.

Comentando a notícia no twitter, a coordenadora do Bloco de Esquerda defende que “uma crise sem precedentes exige medidas corajosas, como a dedicação plena ou a criação de carreiras que mantenham os profissionais no SNS”. E, frisa: “O SNS não pode ficar resignado à perda de profissionais para o privado”.

"Governo não consegue atrair clínicos porque não investe"

O jornal aponta que a passagem à reforma de muitos médicos não justifica totalmente a diminuição de clínicos. Segundo dados coligidos pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), há cerca de trezentos médicos que não ficaram no SNS.

Interrogando-se sobre o problema, Mário Sardinha do SIM aponta que alguns médicos acabaram o internato mas não foram contratados, ou não ocuparam vagas nos concursos, ou foram trabalhar para o privado ou para o estrangeiro. O médico refere que há vários fatores negativos que explicam o fenómeno, nomeadamente as condições de trabalho.

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, critica o Governo por esta situação: “Este Governo tem tido total incapacidade para criar condições de atracção porque não investe, actualmente os equipamentos de topo estão no sector privado. Não é com um chicote que se faz com que as pessoas fiquem no SNS. Sendo menos, os médicos ficam mais cansados e com mais vontade de sair”.

Em ano de pandemia o SNS está a perder médicos”

O jornal lembra que o Governo tem salientado que o número de médicos aumentou ao longo dos últimos anos e, em setembro, Marta Temido, dizia que a diminuição de médicos seria compensada através dos concursos para a contratação dos médicos que terminaram o internato em outubro.

No entanto, nem isso acontecerá, refere o Público, indicando que ao longo dos últimos oito meses se reformaram 471 médicos e foram contratados 378, havendo um défice de 93 médicos. A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) considera que “este ano está a ser atípico”, e acrescenta que faltam concluir o concurso para 911 especialistas nas áreas hospitalares e 39 na saúde pública. A ACSS acrescenta ainda 435 vagas do concurso de medicina geral e familiar para afirmar que isso dá “1385 postos de trabalho”, o que representa “uma majoração em 13% em relação ao número de médicos que concluíram recentemente a sua formação (1227), procurando, deste modo, atrair mais médicos para o SNS”.

O deputado bloquista Moisés Ferreira afirma “o Governo assume que todos estas vagas vão ser ocupadas, o que não acontecerá, tendo em conta o histórico dos concursos nos últimos anos”. O deputado aponta que no concurso de medicina geral e familiar um terço das vagas ficaram por ocupar (146 das 435) e no das especialidades hospitalares “deverá acontecer o mesmo”, lembrando que, nos últimos anos, 30% e os 35% das vagas ficam por preencher. “Num bom cenário, das mais de 900 vagas abertas para os hospitais e para a saúde pública deverão ficar ocupadas cerca de 600”, calcula.

“O que é verdade é que, neste ano de pandemia, o SNS está a perder médicos”, frisa Moisés Ferreira, prevendo que o saldo negativo se agrave até ao final do ano.

As medidas para enfrentar esta situação e atrair os profissionais de saúde, como, nomeadamente, a dedicação plena e carreiras, foram propostas pelo Bloco de Esquerda para o Orçamento de Estado para 2021, não foram aceites pelo Governo, e serão votadas na próxima segunda-feira.

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