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Descoberto novo planeta gigante a 63 anos-luz da Terra

O Beta Pictoris C, que orbita em torno da estrela com o mesmo nome, tem uma massa três mil vezes maior que a Terra. Situa-se num sistema planetário mais jovem que o nosso sistema solar, dando pistas para o que terá sucedido no início deste.
O planeta Beta Pictoris B visto a luz infravermelha. Imagem: ESO/A.-M. Lagrange et al.
O planeta Beta Pictoris B visto a luz infravermelha. Imagem: ESO/A.-M. Lagrange et al.

Uma equipa de astrónomos descobriu um novo planeta a 63 anos-luz de distância, com uma massa três mil vezes maior que a Terra e nove vezes maior que Júpiter, o gigante do sistema solar. Batizado como Beta Pictoris C em artigo na revista científica Nature Astronomy, o planeta orbita em torno da estrela Beta Pictoris como a Terra orbita em torno do Sol, mas a uma distância 2,7 vezes maior.

A estrela Beta Pictoris, "sol" do planeta descoberto, atraiu as atenções dos astrónomos na década de 1980 ao fornecer as primeiras imagens de um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. É 1,75 vezes maior em massa que o Sol, e 8,7 vezes mais luminosa. O sistema planetário em seu redor tem 20 milhões de anos, ou seja, é 230 vezes mais jovem que os 4,6 mil milhões de anos do sistema solar. Por esse motivo, tem fascinado os cientistas com imagens da fase inicial de formação de um sistema planetário em torno de uma estrela, janela para entender o que terá sucedido no início do sistema solar.

Há dez anos, os cientistas descobriram um planeta gigante a orbitar a estrela Beta Pictoris, a que chamaram Beta Pictoris B. Junta-se-lhe agora a Beta Pictoris C, numa órbita inferior, mas bem maior que a da Terra: leva 1200 dias a completá-la, ou seja, o seu ano é igual a mais de três anos terrestres. Por outro lado, um dia no planeta não excede as oito horas. Ambos os planetas, B e C, estão em fase de formação.

A equipa liderada por Anne-Marie Lagrange, investigadora do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, fez a descoberta ao analisar mais de uma década de dados do espetrógrafo de alta precisão HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), instalado num telescópio do Observatório Europeu do Sul situado em La Silla, no Chile. No futuro, a equipa pretende descobrir mais sobre o novo planeta a partir de dados do GAIA, o telescópio da Agência Espacial Europeia (ESA) em órbita desde 2013, e do chamado Telescópio Europeu Extremamente Grande, atualmente em construção no Chile.

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