Depois do cessar-fogo em Gaza, Israel ataca Cisjordânia

24 de janeiro 2025 - 13:28

Depois dos ataques de colonos a aldeias palestinianas da Cisjordânia após o cessar-fogo em Gaza, as forças militares israelitas conduzem desde terça-feira uma operação de envergadura em Jenin.

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Ataque israelita a Jenin.
Ataque israelita a Jenin. Foto de ALAA BADARNEH/EPA/Lusa.

As forças militares israelitas continuam esta sexta-feira “a incendiar e a destruir casas no campo de refugiados de Jenin” segundo a Al Jazeera. Isto para além do exército sionista confirmar que está a realizar ações no Sul do Líbano para “remover ameaças”, apesar de garantir que está a cumprir o cessar-fogo.

Desde terça-feira que o exército israelita conduz uma operação militar na Cisjordânia. Designada “muro de ferro”, o seu alvo suposto são as Brigadas de Jenin e a justificação semelhante à que foi dada para Gaza: “neutralizar” este grupo em nome da “segurança”.

Para além disso, Israel Katz, ministro da Defesa de Israel, diz que a ação é parte do plano militar israelita para a Cisjordânia e é “a primeira lição do método de ataques repetidos em Gaza”.

Acrescentou ainda que se pretende “defender” os colonos israelitas. Estes, imediatamente após o cessar-fogo em Gaza, iniciaram uma vaga de ataques em vários pontos da Cisjordânia com especial incidência em locais onde os prisioneiros palestinianos libertados viviam.

Os serviços de segurança da Autoridade Palestiniana estão a ser acusados de colaborar com as Forças de Defesa de Israel, conduzindo as suas próprias operações contra as Brigadas de Jenin, ações que aliás já duram desde dezembro contra o grupo que não está sob sua alçada.

De acordo com o Palestine Chronicle, “pela primeira vez, as forças de segurança da Autoridade Palestiniana estão ativamente a participar na ajuda direta ao ataque israelita. A AP continua o seu cerco do campo de refugiados de Jenin, prendeu combatentes que estão a defrontar o exército invasor israelita e mantém uma estreita “coordenação de segurança” com as forças de ocupação”.

A 21 de janeiro, o exército israelita avançou em Jenin, para além de realizar ataques com drones e aviões. Estes ataques continuam entretanto forçando centenas de pessoas a sair do campo de refugiados de Jenin. As autoridades sionistas lançaram uma ordem de evacuação.

Pelo menos 12 pessoas morreram nos dois primeiros dias da ofensiva, elevando assim para 34 o número de pessoas mortas por ataques israelitas na Cisjordânia desde o início de 2025.

De acordo com a Autoridade Palestiniana, as forças armadas israelitas “abriram fogo contra civis e as [suas] forças de segurança”, resultando em ferimentos em 35 pessoas.

O Crescente Vermelho palestiniano diz que está a ser impedido pelo exército sionista de chegar aos feridos e mortos.

Várias reações internacionais estão já a criticar as operações militares e a considerar que colocam em perigo o acordo de cessar-fogo sobre Gaza. A Liga Árabe avisou que os ataques “ameaçam destruir todos os esforços dirigidos à paz, o cessar-fogo e o fim da guerra”. A sua declaração condena “nos termos mais fortes” a escalada de violência quer dos colonos quer do exército sionista.

Por sua vez, as Nações Unidas manifestaram “profunda preocupação” com a situação, denunciando o uso de métodos “desenvolvidos para a guerra” e que violam a lei internacional sobre os direitos humanos como “o uso ilegal de força letal”. Uma posição expressa pelo porta-voz para os direitos humanos Thameen Al-Kheetan em Genebra. Este também sublinhou que a expansão dos colonatos é uma violação da lei internacional: “lembramos uma vez mais que a transferência por parte de Israel da sua população civil para os territórios que ocupa é um crime de guerra”.