Partido Socialista

Depois de ataque de Costa, Leão demite-se da presidência da federação de Lisboa

06 de novembro 2024 - 16:05

Carta aberta publicada no Público e assinada pelo ex-primeiro-ministro leva à demissão de Ricardo Leão da presidência da Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista.

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Ricardo Leão
Ricardo Leão. Fotografia via Facebook da Câmara Municipal de Loures

O presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, demitiu-se da presidência da Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista esta quarta-feira, no seguimento da polémica sobre a sua defesa do despejo “sem dó nem piedade” dos inquilinos de habitação camarária que participaram nos protestos pela morte de Odair Moniz.

O autarca tinha sido defendido pelo atual secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, que afirmou que “todos nós temos bons momentos e momentos menos bons”, mas a polémica em que se envolveu foi alvo de uma carta intitulada “Em defesa da honra do PS”, subscrita pelo antigo primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, bem como por José Leitão, fundador do partido, e Pedro Silva Pereira, ex-ministro.

“Consagrar em regulamento municipal o despejo forçado dos arrendatários de habitações municipais condenados pela participação em distúrbios na via pública, em jeito de “sanções acessórias” complementares das sanções criminais, além de violar grosseiramente as competências reservadas da Assembleia da República e dos tribunais, iria atingir, de forma manifestamente desproporcionada, o direito fundamental à habitação dos próprios”, lê-se na carta.

Os autores consideram que o dirigente socialista “ofende gravemente os valores, a identidade e a cultura do PS” com as afirmações e a medida defendida e que “não há calculismo taticista que o possa desvalorizar”.

Rita Sarrico
Rita Sarrico

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Pedro Nuno Santos reagiu à carta dizendo que “não tem nenhum argumento novo”. Já Ricardo Leão, segundo avança o Público, justifica a sua demissão dizendo que entendeu ser “a melhor decisão” para se focar no seu trabalho na Câmara Municipal de Loures e “prevenir que o Partido Socialista seja prejudicado por uma polémica criada pela descontextualização de uma recomendação aprovada por 64% dos vereadores” dessa Câmara.

Questionado pelos jornalistas sobre a demissão de Ricardo Leão, o líder da bancada parlamentar bloquista lembrou que "o Bloco de Esquerda sempre disse que Ricardo Leão estava na vida pública de uma forma que é difícil de distinguir de um autarca do Chega" e que as declarações de Ricardo Leão "não eram uma exceção, mas uma regra", relembrando as posições desse autarca sobre a gratuitidade das refeições escolares. 

"Quantos candidatos de extrema-direita vai haver ao município de Loures?", questionou Fabian Figueiredo sobre o facto de o autarca do Partido Socialista ter também anunciado a sua recandidatura à Câmara Municipal de Loures. "Ricardo Leão, como se provou, pensa como pensam os militantes de extrema-direita. Vai o Partido Socialista apresentar um candidato de extrema-direita à autarquia?", perguntou o dirigente do Bloco de Esquerda.