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“Demissões no Garcia de Orta são sintoma de atraso na contratação de médicos”

“Estar sempre a recorrer a empresas de prestação de serviços onde faltam médicos é uma forma de ir privatizando partes do SNS”, criticou Catarina Martins na Moita, salientando que o Hospital Garcia de Orta tem tido muita falta de profissionais e que “é urgente que os hospitais possam contratar de forma permanente os profissionais que precisam”.
Catarina Martins com Joana Mortágua na visita à feira da Moita - Foto de Paula Nunes
Catarina Martins com Joana Mortágua na visita à feira da Moita - Foto de Paula Nunes

Catarina Martins esteve na noite desta quinta-feira, 12 de setembro, na feira da Moita, no distrito de Setúbal.

A coordenadora do Bloco foi acompanhada na visita pelas deputadas Joana Mortágua e Sandra Cunha eleitas pelo distrito, pelo historiador e dirigente bloquista Fernando Rosas e pelo vereador do município da Moita, Joaquim Raminhos.

Hospital Garcia de Orta tem tido muita falta de profissionais

Sobre a demissão de 20 médicos do serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, conhecida na noite desta quinta-feira, Catarina Martins salientou que o problema da falta de profissionais e de equipas neste hospital “está diagnosticado há muito tempo”, e que apesar de a notícia ser recente e o Bloco ir pedir esclarecimentos, “achamos que o que está a acontecer é sintoma de se estar a atrasar a necessidade absoluta de contratar médicos”.

“Estar sempre a recorrer a empresas de prestação de serviços onde faltam médicos é uma forma de ir privatizando partes do SNS, de o tornar mais desregrado, com menos coerência entre si, de o fragilizar” criticou a coordenadora bloquista e apontou: “Voltamos a chamar a atenção: há tantos hospitais deste país que estão à espera de autorização para contratar os médicos de que precisam… precisamos de equipas médicas estáveis, de enfermagem, de técnicos para o SNS.

Demissão de dez chefes de equipa e de dez internistas no Hospital Garcia de Orta

Na noite desta quinta-feira, foi conhecido que dez chefes de equipa e dez internistas se demitiram do serviço de urgências do Hospital Garcia de Orta, em protesto contra a decisão de retirar a Cirurgia Geral da urgência, tomada pela administração do hospital.

Em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), solidariza-se com os profissionais demissonários e destaca que a decisão da administração “levará a um esgotamento ainda maior dos internistas na urgência, para além de pôr em perigo os doentes do foro cirúrgico, que ficam dispersoso numa amálgama de doentes ainda maior”.

Segundo joão Araújo Correia, presidente da SPMI, “esta atitude da Medicina Interna no Hospital Garcia de Orta deve merecer uma atenção especial, porque no Hospital Garcia de Orta a Medicina Interna tem dado provas de enorme capacidade de trabalho e iniciativa, sendo considerada como exemplo no caso da Hospitalização Domiciliária”.

Há muito que faltam profissionais no Hospital Garcia de Orta

Em outubro de 2018, o Bloco de Esquerda questionou o ministério da Saúde sobre “urgência de tomada de medidas para evitar rotura de serviços no Hospital Garcia de Orta, Almada”.

O documento do grupo parlamentar do Bloco centrava-se então na “situação grave” do serviço de anestesiologia. “Existem, em funções, menos de metade do número de anestesistas que seria necessário e, dos 16 médicos anestesistas, 12 têm mais de 55 anos, o que pode colocar graves constrangimentos para assegurar o serviço de urgência, por exemplo”, sublinhava o documento, assinado pelos deputados Moisés Ferreira, Sandra Cunha e Joana Mortágua.

E questionava-se se o governo conhecia a situação, que medidas seriam tomadas para o reforço de profissionais e “que investimento será feito neste hospital para reequipar os serviços que mais sofrem com a obsolescência dos seus equipamentos”.

Em resposta, a chefe de gabinete da ministra da Saúde dizia que a situação no serviço de anestesiologia do Hospital Garcia de Orta se devia ao facto de o hospital “não ter conseguido preencher as vagas atribuídas, nem ser atrativo no recrutamento de novos profissionais”. Na resposta, informava-se também sobre investimentos em diversos serviços no montante global de 5,8 milhões de euros.

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