Conforme referem os deputados Moisés Ferreira, Sandra Cunha e Joana Mortágua num conjunto de questões endereçadas ao Ministério da Saúde, o diretor do serviço de anestesiologia está demissionário, podendo vir a abandonar as suas funções a qualquer momento, uma vez que considera que a Administração do Hospital Garcia de Orta não investiu no serviço nem contratou os profissionais que eram necessários para o seu normal funcionamento.
Neste momento, existem 16 médicos anestesistas em funções, sendo que, destes, dois são médicos reformados a meio tempo; quatro não fazem urgência por terem mais de 55 anos e terem feito uso desse direito; um está de baixa por gravidez de risco; um outro está de partida para uma missão humanitária. Do total de 16 médicos anestesistas, 12 têm mais de 55 anos.
No serviço de anestesia, a atividade assistencial programada, que implica o bloco central, unidade cirúrgica de ambulatório, bloco de oftalmologia, cesarianas eletivas, consultas, cuidados pós-anestésicos, pós-operatório, apoio a MCDT, entre outros, representa 740h por semana. O trabalho nas urgências representa 672h. A participação na Urgência Metropolitana de Lisboa exige ainda cerca de 27h semanais de atividade de prevenção. Toda a atividade assistencial do Garcia de Orta, no serviço de anestesia, soma 1439h semanais. Com os atuais profissionais, a equipa de anestesia pode garantir somente cerca de 570h semanais, o que implica que as restantes são realizadas por horas extra ou recurso a prestação de serviços.
Alertando que “a falência do serviço de anestesia coloca todo o hospital, serviços clínicos e cuidados de saúde à população à beira do colapso”, o Bloco defende que são necessárias “ações rápidas e urgentes por parte do Governo”.
A anestesiologia não é único serviço com problemas. Na Radiologia não existem radiologistas em presença a partir das 24h. O recurso a prestação de serviços e à telemedicina é cada vez maior, com consequências negativas para a qualidade dos serviços prestados. Os equipamentos estão obsoletos do ponto de vista tecnológico, pelo que a qualidade dos exames não é a melhor, o que pode prejudicar o diagnóstico.
Na gastroenterologia faltam profissionais, sendo que o tempo de espera para colonoscopias e endoscopias pode atingir um ano, o que coloca em sério risco a saúde e a probabilidade de cura em caso de neoplasias.