Um artigo académico intitulado The Macroeconomic Impact of Climate Change: Global vs. Local Temperature, publicado este mês pelo National Bureau of Economic Research dos Estados Unidos, contabiliza que os estragos macro-económicos derivados das alterações climáticas são seis vezes maiores do que o que se pensava anteriormente.
O estudo, um working paper de Adrien Bilal, do Departamento de Economia da Universidade de Harvard e de Diego R. Känzig, do Departamento de Economia da Universidade de Northwestern, calcula que um aumento de um grau centígrado na temperatura global conduz a um “declínio persistente” do PIB mundial com um pique de perda de 12%.
Explicam que a literatura sobre o tema tem usado choques locais de temperatura, o que implicaria um aumento mínimo de fenómenos climáticos extremos e assim efeitos muito mais pequenos na economia. De acordo com a sua análise, “os choques de temperatura a nível nacional estão muito mais fortemente correlacionados com fenómenos climáticos extremos do que os choques de temperatura a nível local”, o que explicaria a sua estimativa ser “substancialmente maior”.
Os resultados a que chegaram “implicam um Custo Social do Carbono de 1.056 dólares por tonelada de dióxido de carbono”, afirmando-se ainda que “um cenário de aquecimento normal conduz a uma perda de bem-estar no valor atual de 31%” num “cenário de aquecimento moderado”.
Catarina Martins referiu este estudo no debate de quarta-feira entre candidatos às eleições europeias. Com base nas novas estimativas apontadas pelos investigadores do pelo National Bureau of Economic Research quando ao custo social do carbono, a União Europeia estaria a perder 9,5 mil milhões de euros por dia por não fazer a transição climática.
Os investigadores alegam ainda que “estes efeitos são comparáveis a ter uma grande guerra no interior do país, para sempre”. Assim, dados estes valores, não apenas as alterações climáticas “representam um ameaça maior à economia mundial” mas até uma política de descarbonização unilateral seria “rentável para grandes países como os Estados Unidos”.