A campanha presidencial de Catarina Martins passou esta terça-feira pela ilha de São Miguel, nos Açores, com uma visita ao espaço cultural Vaga, em Ponta Delgada. A candidata destacou o trabalho da associação que gere este espaço tanto na “projeção para fora dos Açores mas também aqui, para projetar artistas, para que haja encontros, para formar jovens”.
Catarina Martins defendeu que o investimento na Cultura “é fundamental”, pois ela “é o melhor antídoto contra os ódios e divisões”. E garantiu aos jornalistas que a sua campanha eleitoral vai passar por mostrar estes “projeto de sucesso” em prol da cidadania e que orgulham o país.
Questionada pelos jornalistas sobre a sua posição acerca da autonomia, Catarina respondeu que há muito tempo que considera a existência do representante da República “um anacronismo” e que “as Regiões devem ter uma voz naquilo que lhes diz respeito”, o que no caso dos Açores deve passar por ter voz em matérias que têm a ver com o mar ou acordos internacionais com impacto na economia e ambiente da Região.
A candidata referiu ainda estar preocupada com o silêncio das autoridades sobre a alteração das regras dos fundos europeus no sentido de maior centralização da sua atribuição, o que considera “um erro”, e também sobre “o desvio de fundos para as regiões ultraperiféricas como os Açores para outras finalidades”. Mais uma razão para eleger “uma Presidente da República que não fique calada quando a autonomia e capacidade de investimento da região está em causa”, prosseguiu.
Os jornalistas quiseram também ouvir uma primeira reação ao plano da Comissão Europeia para a Habitação, apresentado horas antes. Catarina viu neste plano “duas medidas que valia a pena o governo português ter em conta”: o aumento do investimento público com a possibilidade de usar fundos europeus e limitar o alojamento local. E lembrou que se antes “muita gente dizia que quem defende limites ao Alojamento Local está a ser extremista, a Comissão Europeia vem dizer que é o básico da sensatez”.
Noutro tema da atualidade política, desta vez sobre o pacote laboral e a reação do Governo à greve geral com o agendamento de negociações com a UGT e de uma reunião do primeiro-ministro com a CGTP, Catarina respondeu com humor: “Não sei se o Governo está a ganhar tempo, mas se estivesse a ganhar juízo, retirava o pacote laboral”.
A candidata sublinhou que o país já mostrou que não aceita as mudanças na lei laboral para trabalhar mais horas por menos dinheiro e com contratos mais precários, pois “já somos dos países onde se trabalha mais horas e com mais contratos precários”. Assim, “o Governo tem de perceber se quer criar soluções ou problemas”, acrescentou, concluindo que se quiser criar soluções “tem de fazer o contrário do que está a propor”.