Catarina Martins esteve esta quarta-feira na Universidade de Coimbra, onde interveio com a ex-eurodeputada Ana Gomes e a investigadora Joana Ricarte num painel da OppAttune Winter Academy 2025, uma iniciativa apoiada pela Comissão Europeia que junta académicos, jornalistas, políticos e figuras da sociedade civil para discutir a ação política em tempos de divisão e extremismo.
Presidenciais
“Tomo partido por uma mulher de esquerda”: Isabel Moreira apoia Catarina
Catarina Martins defendeu que neste momento existe “um enorme problema de desigualdade na União Europeia”, em que “as pessoas sentem que o seu salário vale cada vez menos e crescem extremismos que não pretendem dar solução a estes problemas, mas pretendem criar bodes expiatórios: culpam os miseráveis pela pobreza de quem vive do seu trabalho”.
Para a candidata presidencial, “esta é uma forma de não mudar o sistema” e só tem por consequência fazer “crescer o ódio, a misoginia, o ódio contra as mulheres, a xenofobia”. O que é preciso, contrapôs Catarina, são “salários dignos para todas as pessoas que trabalham e essa é medida do que pode ser o futuro da Europa: contrariar as ideias de discriminação, violência e xenofobia é a única forma de lutarmos por salários dignos para todas as pessoas”.
Nomeação de Carlos Alexandre é “cortina de fumo” para esconder responsabilidades do Governo
Questionada pelos jornalistas sobre vários temas da atualidade política, Catarina destacou a notícia sobre os cortes nas contratações no SNS que o Governo pretende fazer no próximo ano. Salientando que um dos problemas do país tem sido “a falta de investimento nos serviços públicos durante muitos anos”, Catarina considerou este corte nas contratações “muito perigoso, porque isso quer dizer que, se não vai haver mais médicos e profissionais de saúde, as pessoas das duas uma – quem paga vai ao privado e quem não pode vai esperar até ser tarde de mais”.
Quanto ao anúncio da constituição de uma comissão para combater a fraude no SNS, liderada pelo juiz Carlos Alexandre, Catarina desconfia que nomear alguém que não percebe de saúde “não vai resolver nenhum problema”, uma vez que “para quem não percebe de saúde já temos a ministra da Saúde e não está a resultar”. E considerou o anúncio “uma cortina de fumo para que não se discutam as responsabilidades próprias do Governo, que está a tirar recursos aos hospitais que respondem a qualquer pessoa”.
Acordo da "geringonça" faz 10 anos: "Lutei muito para que neste país se pudesse viver melhor”
No dia em que passam dez anos desde que os partidos da esquerda assinaram o acordo que sustentou o Governo da “geringonça”, Catarina diz que “com a relação de forças que existia” se fez “o melhor que era possível num período muito determinado, entre 2015 e 2019: um período em que se recuperaram salários e pensões, em que as pessoas mais vulneráveis tiveram acesso à tarifa social da energia, em que conseguimos manuais escolares gratuitos e se baixou o preço do passe dos transportes”.
“Pela minha parte, acho que lutei muito para que neste país se pudesse viver melhor”,concluiu a candidata presidencial.