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CTT: Trabalhadores defendem que é urgente reverter privatização

Sindicato alerta para degradação das condições de trabalho e da qualidade do serviço prestado e denuncia despedimentos encapotados. Bloco defende que é “preciso recuperar o controlo público dos CTT por incumprimento do contrato da empresa concessionária".
Em 2014, o ministro da Economia do PSD/CDS disse que “a privatização dos CTT foi um enorme êxito”, salientando o “sucesso objetivo do ponto de vista financeiro”. Foto de Paulete Matos.

Segundo refere o Sindicato Nacional Trabalhadores Correios e Telecomunicações (SNTCT) em comunicado, “quem tem gerido os CTT nos últimos três anos apenas pensa no interesse dos acionistas”, em detrimento das populações e do país.

Atrasos até 15 dias úteis no correio e de mais de 5 dias nos registos; períodos de espera de mais de uma hora em filas nas estações de correio; trabalhadores extenuados a recorrer cada vez mais a ajuda médica por efetuarem 10 e mais horas de trabalho diário no atendimento e distribuição; centenas de postos de trabalho sem trabalhadores; 1 a 3 semanas de tempo de espera para abrir uma conta no banco CTT. Estas são algumas das consequências visíveis do processo de degradação a que os CTT têm sido sujeitos.



Ao mesmo tempo que os resultados (de janeiro a setembro) diminuem cerca de 57% em relação a 2016, gastam-se milhões de euros em consultadorias.

Destacando que os CTT – Correios de Portugal “são uma empresa estratégica, que tem por obrigação prestar o serviço universal e diminuir as assimetrias regionais”, o SNTCT alerta que a atual situação “impõe que o Estado tome medidas”.

“É lamentável que uma gestão paga ‘a peso de ouro’ tenha levado os CTT-Correios de Portugal à degradação de um dos melhores serviços públicos do país”, frisa o sindicato.

Para piorar ainda mais a situação, os CTT assumiram que ponderam entregar as estações a entidades terceiras e informaram o SNTCT que “identificaram um conjunto de trabalhadores, que a Empresa considerou reunirem determinadas condições cuja cessação do seu vínculo contratual não implicará substituição, com vista à cessação, por mútuo acordo, dos contratos de trabalho”.

Na prática estão, tal como denuncia a estrutura sindical, “mais umas centenas de despedimentos encapotados”.



No documento, o SNTCT lembra que, em 2014, o ministro da Economia do PSD/CDS disse que “a privatização dos CTT foi um enorme êxito”, salientando o “sucesso objetivo do ponto de vista financeiro”.

Pires de Lima adiantou ainda que os atuais acionistas “são bons investidores internacionais e portugueses”, o que “é um motivo de conforto”.

Frisando que “não aceitam que quem causou esta situação continue a ganhar milhões, para destruir uma empresa com 500 anos de existência”, os trabalhadores vincam que “é urgente a reversão da privatização dos CTT”.

É “preciso recuperar o controlo público dos CTT"

Segundo o deputado bloquista Heitor de Sousa, esta é, infelizmente, uma denúncia “que não surpreende”, já que temos vindo a “assistir um processo de degradação sucessiva e progressiva do nível de qualidade dos serviços prestados pelos CTT”.

Essa degradação tem-se traduzido, conforme lembrou Heitor de Sousa em declarações ao Esquerda.net, “numa redução da capacidade de oferta dos serviços de correios” e no despedimento de trabalhadores.

Acresce que parte dos trabalhadores têm sido desviados para o serviço bancário, o que “agrava ainda mais a falta de pessoal, a falta da cobertura da rede postal, e a consequente violação de todos os indicadores de qualidade de serviço”.

Defendendo que é “preciso recuperar o controlo público dos CTT por incumprimento do contrato da empresa concessionária", Heitor de Sousa recordou que o Bloco entregou em julho um projeto que resolução que recomenda ao Governo que inicie o processo de recuperação do controlo e gestão do serviço postal universal por parte do Estado, através do resgate da concessão do serviço público dos Correios e da sua rede pública aos CTT.

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