A adesão a esta greve geral dos CTT no turno da noite das centrais de Lisboa, Porto e Coimbra rondou os 90%, informou Vítor Narciso, dirigente do SNTCT. Esta greve foi apoiada por ambas as centrais sindicais e os sindicalistas presentes no piquete, esta quinta à noite à saída de um dos centros de distribuição postal de Lisboa, dizem que a luta não vai ficar por aqui. "Vamos continuar as ações de protesto, manifestações e greves, tudo o que possamos organizar também em conjunto com a sociedade civil para lutar contra a privatização", afirmou o sindicalista à SIC-Notícias.
Para este dirigente sindical afeto à CGTP, a privatização "prejudica em tudo os trabalhadores: na diminuição dos postos de trabalho, nas transferências, nos direitos sociais e nos vencimentos dos trabalhadores. Mas também prejudica a empresa e a população". Questionado sobre a possibilidade de despedimentos se os CTT saírem das mãos do Estado, Narciso diz que isso será inevitável. "Um eventual comprador dos CTT não vai querer estar a pagar a dois mil trabalhadores para não fazerem nada. E é esta situação está a ser criada com o encerramento das estações de Correios e as alterações na distribuição".
Para José Arsénio, dirigente do Sindetelco, estamos a assistir à "destruição total do serviço público postal" inscrita no memorando da troika. "Somos uma empresa lucrativa que existe há 492 anos e todos os anos damos dinheiro para o Orçamento de Estado. Até há pouco tempo os CTT eram o quinto melhor operador do mundo, prestavam um serviço de qualidade sem custar um tostão aos contribuintes", lembra o sindicalista afeto à UGT. Uma situação que se degradou nos últimos anos, diz Arsénio, acusando a administração de não cumprir "a diretiva europeia que obriga a fazer a distribuição cinco dias por semana". João Arsénio diz que a privatização "é um crime" que correu mal nos cinco países europeus onde foi tentada. "A Holanda já não tem estações de correios, está tudo em empresas privadas (papelarias, supermercados) e a carreira de carteiro acabou: agora são jovens e donas de casa pagos à hora a fazer a distribuição" e sem garantir "o sigilo profissional a que os trabalhadores dos Correios estão obrigados", acrescentou.
Nos últimos meses os Correios têm encerrado estações quase todos os dias, quase sempre nas costas das populações. Em Lisboa, um autarca ocupou uma estação na Quinta da Luz até obter garantias de que não seria encerrada. As garantias foram dadas pela administração, mas no dia seguinte a estação foi encerrada à mesma. Na última sexta-feira, o parlamento discutiu iniciativas da esquerda parlamentar para suspender o processo de privatização e os encerramentos de estações, mas foram todas chumbadas pelas bancadas do PSD e CDS.