A coordenadora do Bloco reagiu ao final da tarde desta terça-feira ao anúncio de demissão do primeiro-ministro António Costa, justificado com a suspeita que recai sobre si nas investigações judiciais que levaram à detenção do seu chefe de gabinete, Vitor Escária, e do seu consultor e amigo próximo, Diogo Lacerda Machado.
"A justiça tem agora uma responsabilidade principal: esclarecer da forma mais célere possível as suspeitas que foram levantadas sobre o primeiro-ministro", afirmou Mariana Mortágua, acrescentando que as investigações que levaram também à constituição como arguidos do ministro João Galamba e do líder da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, "dizem respeito a grandes projetos económicos que o Bloco tem criticado", como os projetos do hidrogénio e a exploração das minas de lítio.
Questionada pelos jornalistas sobre o que o Bloco dirá a Marcelo Rebelo de Sousa na audiência de quarta-feira, Mariana Mortágua afirmou que "iremos comunicar ao Presidente da República a preferência pela convocação de eleições antecipadas. Entendemos que em democracia crises políticas desta natureza se resolvem com a convocação de eleições".
"O que os portugueses nos exigem é que resolvamos a crise política que temos em mãos", prosseguiu a coordenadora bloquista, defendendo que "o país não pode viver em crise política e o ideal é que se encontrem soluções o mais rapidamente possível".
"Podem contar da parte do Bloco de Esquerda que estaremos sempre do lado de quem quer encontrar soluções e que o país não permaneça em crise política mais tempo do que o estritamente necessário para que a democracia possa funcionar", concluiu Mariana Mortágua, lembrando que "há muitos temas e dossiers da política que são muito importantes e para os quais temos de ter soluções, a começar pelo SNS".