Irão

“Crimes de guerra? Não estou preocupado com isso”, responde Trump

07 de abril 2026 - 12:20

Presidente dos EUA reafirmou ultimato e ameaça destruir infraestrutura civil iraniana. Depois dos hospitais e universidades, esta noite foi a vez de uma sinagoga no centro de Teerão ficar destruída pelas bombas de Israel e dos EUA.

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Donald Trump
Donald Trump. Foto da Casa Branca

Os últimos dias têm sido marcados pela escalada das ameaças de Donald Trump ao Irão. Sem um acordo de paz ou cessar-fogo à vista, o presidente dos EUA ameaçou destruir todas as pontes e centrais elétricas iranianas com o objetivo de devolver o país “à Idade da Pedra”. Por entre incredulidade, dúvidas sobre a sua sanidade mental, mas também tentativas de normalização deste tipo de discurso enquanto tática negocial, muitos comentadores questionaram-se se a concretização daquelas ameaças, ou apenas o facto de terem sido proferidas, não poderiam ser considerados crimes de guerra.

Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, a véspera do prazo do seu ultimato marcado para a madrugada de quarta-feira na hora portuguesa, houve jornalistas a colocarem a mesma questão ao presidente dos EUA. “Não estou preocupado com isso”, afirmou Donald Trump, acrescentando: “Sabem o que é um crime de guerra? Ter uma arma nuclear”. Trump recusou-se ainda a especificar se haverá algum alvo civil que esteja posto de parte nos seus planos de destruição do Irão.

Para a líder do Comité Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, este tipo de ameaças “contra infraestruturas civis e instalações nucleares não se podem tornar o novo normal na guerra”, concluindo que “qualquer guerra travada sem limites é incompatível com a lei”.

A guerra já provocou mais de dois mil mortos no Irão, metade dos quais civis, e os bombardeamentos de Israel e dos EUA prosseguiram na segunda-feira. Depois de já terem tido como alvos universidades e hospitais, desta vez foi a sinagoga de Rafi-Nia no centro de Teerão a ficar completamente destruída quando as bombas caíram sobre edifícios residenciais vizinhos. “O regime sionista não teve qualquer piedade desta comunidade durante as festas judaicas e atacou uma das nossas antigas e sagradas sinagogas”, afirmou Homayoun Same, representante da comunidade judaica no parlamento iraniano..

Sem referir o ataque à sinagoga de Teerão, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu preferiu colher os louros do que diz ter sido a “destruição” do maior complexo petroquímico iraniano na segunda-feira.

Segundo a imprensa internacional, vários países estão envolvidos nos esforços de mediação. O Irão terá entregue uma proposta via Paquistão e recusa um cessar-fogo ou qualquer solução que não passe pelo fim definitivo do conflito e garantias de que não voltará a ser atacado. Exige também reparações para a reconstrução do que foi destruído, o fim das sanções, um protocolo para a passagem segura no estreito de Ormuz e o fim da ofensiva israelita contra o Hezbollah no Líbano.

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