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Crianças portuguesas são das que mais horas passam na creche

Em Portugal, as crianças com menos de três passam cerca de 40 horas por semana na creche. A média europeia está em cerca de 30 horas semanais. Dos 0 aos 6 anos, as crianças portuguesas passam mais dez horas semanais no ensino pré-escolar que as restantes crianças europeias.
Crianças portuguesas são das que mais horas passam na creche
Foto de Paulete Matos.

Segundo o relatório “Estado da Educação 2018”, as crianças portuguesas passam muito mais horas por semanas nas creches, infantários ou amas. Em média, ficam quase 40 horas longe dos pais ou encarregados de educação, mais dez horas que a média europeia. O relatório hoje divulgado faz o retrato do país no ano que passou, analisando sempre a evolução observada na última década.

O número médio de horas semanais que os bebés e crianças portuguesas passam nas creches e nos estabelecimentos de educação pré-escolar “é dos mais elevados de entre os países da União Europeia”, refere o relatório ao qual a Lusa teve acesso.

Até aos três anos, os bebés passam, em média, 39,1 horas por semana, ou seja, quase oito horas por dia, com amas ou em creches. A partir dos três anos esse valor desce para as 38,5 horas semanais. Como termo de comparação, a média da União Europeia é de 27,4 horas semanais até aos três anos e de 29,5 horas semanais a partir dos três.

Em termos de oferta de creches, Portugal também continua no topo entre os países da OCDE e dos 23 países da União Europeia na OCDE. A taxa de cobertura em Portugal é de 36,7%, sendo a média da OCDE de 36,3% e da UE23 35,6%.

“Quase todos os partidos políticos nestas últimas eleições apresentam nos seus programas essa ideia de que as creches teriam que ter uma intencionalidade educativa e que era preciso reforçá-la”, disse a presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Emília Brederode Santos.

Para Maria Emília Santos, é necessário ver a “educação como um direito que se tem desde que se nasce”, referindo os vários estudos que apontam para a frequência do ensino pré-escolar como uma das melhores ferramentas para combater o insucesso escolar.

Em relação ao ensino básico, mantém-se a tendência de diminuição de alunos em todos os ciclos. Mais concretamente, houve uma diminuição de mais de 150 mil alunos em dez anos (2017/2018 vs 2008/2009). A redução de alunos observa-se sobretudo ao nível do primeiro ciclo, com um decréscimo de 18%. Segue-se o 2º ciclo com uma diminuição de 17% e o 3º ciclo que conta com menos 9,6% alunos.

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