Cortes da direita deixaram Cultura "de rastos" nos Açores

23 de janeiro 2024 - 19:52

Em Rabo de Peixe, o candidato bloquista António Lima visitou o cineteatro que a coligação de direita no Governo Regional quis privatizar e foi travada pela luta da população. Em Angra do Heroísmo, Alexandra Manes defendeu “casas que as pessoas possam pagar” e criticou a fraca execução dos fundos do PRR para a Habitação.

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António Lima dá declarações aos jornalistas no Cineteatro Miramar, em Rabo de Peixe.
António Lima dá declarações aos jornalistas no Cineteatro Miramar, em Rabo de Peixe. Foto Bloco/Açores

Esta segunda-feira, a campanha do Bloco de Esquerda nos Açores destacou a falta de apoios à Cultura na Região e a crise da habitação que ali se vive, durante iniciativas em Rabo de Peixe, com o deputado e primeiro candidato pela ilha de São Miguel, António Lima, e em Angra do Heroísmo com Alexandra Manes, deputada e cabeça de lista do Bloco pela ilha Terceira.

"Uma maioria absoluta da coligação de direita significaria um abandono absoluto da Cultura nos Açores”, disse António Lima, numa visita ao Cineteatro Miramar, em Rabo de Peixe, um espaço cultural que o Governo Regional tinha a intenção de privatizar e que a luta da comunidade e dos agentes culturais, mas também uma proposta do Bloco, conseguiu travar.

Em março do ano passado, quando se soube que havia a intenção de a Região vender o edifício do Cineteatro Miramar, o Bloco de Esquerda levou ao parlamento uma proposta, com urgência, não só para travar este processo de venda, mas também para recomendar ao Governo uma maior dinamização cultural daquele espaço.

O Cineteatro Miramar tem um auditório com capacidade para 120 pessoas, com condições para acolher diversos espetáculos de palco e a projeção de filmes, e no mesmo edifício existe também uma biblioteca e ludoteca, e é também este espaço que acolhe a Escola de Música de Rabo de Peixe.

A visita simbólica, não só para recordar a luta da comunidade na defesa da manutenção daquele espaço na esfera pública, mas também como um exemplo do abandono da Cultura por parte do governo de coligação de direita liderado por José Manuel Bolieiro.

“A intenção de vender este teatro é um sinal disso. Um espaço com esta importância para a comunidade de Rabo de Peixe seria vendido, e esta comunidade ficaria mais pobre sem esta infraestrutura e a vida que ela gera”, disse António Lima.

O coordenador do Bloco de Esquerda lamentou os “cortes brutais no apoio à Cultura” que este governo aplicou, e lembrou que “os agentes culturais estão há praticamente um ano sem resposta em relação dos apoios que lhes foram prometidos, o que é mais um sinal do abandono da cultura por parte do governo da coligação de direita”.

O Bloco defende que tem que haver um “orçamento decente para a cultura e políticas de apoio à produção cultural que tenham uma perspetiva de médio prazo, que sejam desburocratizadas e que tenham estabilidade”.

“A cultura está de rastos nos Açores porque José Manuel Bolieiro e o seu governo a deixaram assim”, frisou António Lima.

Questionado pelos jornalistas sobre o dia a seguir às eleições, o candidato do Bloco voltou a garantir que o Bloco nunca apoiará um governo de direita.

António Lima lembra que o Bloco nunca negou o diálogo com o PS, nem mesmo quando o PS estava no governo com maioria absoluta, mas salienta que “esta é a altura de apresentar as propostas e fazer com que elas tenham mais força” e que o Bloco nunca falha nas medidas para responder aos problemas das pessoas.

No dia a seguir às eleições “é que se medirá a força que cada partido terá na próxima legislatura”, adiantou o coordenador do Bloco nos Açores.

Angra do Heroísmo acordou com tendas montadas na Praça Velha para alertar para o problema da falta de habitação

Angra do Heroísmo acordou na segunda-feira com várias tendas montadas em plena Praça Velha, como símbolo da crise da habitação que afeta também a ilha Terceira: com a subida dos juros e das rendas e com o crescimento desregulado do turismo, as famílias têm cada vez mais dificuldade em encontrar uma casa que consigam pagar.

 

Alexandra Manes, candidata do Bloco de Esquerda pela ilha Terceira, alertou para este problema e apontou as soluções que o Bloco quer implementar.

Tendas montadas na Praça Velha, em Angra do Heroísmo
Tendas montadas na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, durante a ação de campanha do Bloco sobre a crise da habitação nos Açores. Foto Bloco/Açores.

A candidata do Bloco lamenta a falta de investimento do atual governo de direita e dos anteriores governos do PS, e a falta de regulação do turismo – principalmente o crescimento desordenado do Alojamento Local – que resultaram nas dificuldades que se sentem atualmente.

O Bloco quer mais “casas que as pessoas possam pagar” porque “a habitação é um direito”, disse Alexandra Manes.

Alexandra Manes
Alexandra Manes

Levar a Terceira e os Açores a sério

08 de janeiro 2024

“Não havendo casas no mercado, e com a subida exponencial das taxas de juro, que encareceu significativamente as prestações mensais aos bancos, as pessoas não conseguem pagar as suas casas, não conseguem pagar a mensalidade ao banco, e não conseguem encontrar uma casa no mercado de arrendamento que consigam pagar”, explicou a coordenadora do Bloco na Terceira.

Para resolver estes problemas, o Bloco propõe a criação de uma bolsa pública de habitação, que aumente significativamente as habitações disponíveis no mercado a preços acessíveis e que irá também regular o mercado

“Quanto mais oferta houver, mais baixos vão ser os preços”, afirmou a candidata.

Além disso, o Bloco propõe travar o aumento das rendas nos Açores, que têm tido grandes aumentos nos últimos anos, e pretende que cada novo grande investimento imobiliário seja obrigado a garantir 25% das casas para habitação a preços acessíveis.

Alexandra Manes lembrou ainda que a Região nunca teve um envelope financeiro tão grande como o PRR para a habitação, mas lamenta a fraca execução destes fundos pelo governo da coligação PSD, CDS e PPM.


Acompanhe o dia a dia da campanha do Bloco para as eleições legislativas regionais de 4 de fevereiro no site do Bloco/Açores.