A família do militante independentista corso confirmou esta segunda-feira o seu falecimento, ao fim de várias semanas em estado crítico no hospital. Aos 61 anos, Yvan Colonna cumpria pena de prisão perpétua na cadeia de Arles, entre Marselha e Montpellier, após ser condenado pelo envolvimento no assassinato de Claude Érignac, o representante do Estado francês (prefeito) na Córsega, em 1998. Foi capturado ao fim de cinco anos em fuga e sempre afirmou a sua inocência.
Vários partidos da Córsega prestaram homenagem e condolências à família de Yvan Collona, tal como o presidente do conselho executivo Gilles Simeoni, ou a presidente da Assembleia, Marie-Antoinette Maupertuis. Fora da Córsega, chegaram mensagens de condolências dos independentistas bascos do Sortu e da Assembleia Nacional da Catalunha.
Yvan Colonna, patriote corse, a toujours clamé son innocence, sans jamais renoncer à la faire reconnaître par la justice. Sa mort est une injustice et une tragédie, qui vont marquer l’histoire contemporaine de la Corse et de son peuple. L’heure est au deuil et au recueillement. pic.twitter.com/Bf1Wtm6RGp
— Gilles Simeoni (@Gilles_Simeoni) March 22, 2022
No passado dia 2 de março, Colonna foi atacado no ginásio da prisão de Arles por um homem de 35 anos e com nacionalidade camaronesa, condenado por associação terrorista e ligado ao meio jihadista em França. O ataque deixou-o em estado de coma e a inação dos guardas prisionais voltou a incendiar os ânimos na Córsega, onde a reaproximação dos presos independentistas para a prisão da ilha é uma reivindicação antiga.
Nas noites que se seguiram houve manifestações com milhares de pessoas em várias localidades da Córsega, com as palavras de ordem “Estado francês assassino” ou “Liberdade”. Mas muitos foram além das palavras e atiraram pedras e cocktails molotov contra a polícia francesa. Os motins fizeram mais de 100 feridos, entre agentes policiais e manifestantes.
A crise aberta na ilha por causa do ataque a poucas semanas das eleições presidenciais francesas levou o governo de Paris a reagir, enviando o ministro do Interior à ilha para uma visita de três dias numa missão para tentar apaziguar os ânimos e deixar promessas de diálogo futuro quanto ao estatuto da ilha e da sua língua. Mas as promessas não convenceram os independentistas, em especial os sindicatos estudantis que estiveram na primeira linha da mobilização dos protestos deste mês. Além da libertação dos “presos políticos”, cujo processo de reaproximação prometido pelo governo francês há 20 anos continua por cumprir, a recusa francesa do estatuto de co-oficialidade da língua corsa ou do exercício do poder legislativo no quadro de uma autonomia continua a afastar qualquer hipótese de acordo.
Após a notícia da morte de Colonna, o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, foi citado pela Agência France Presse a apelar à “calma e diálogo” na Córsega, prometendo que a verdade será conhecida sobre os acontecimentos na prisão e que as discussões sobre o futuro estatuto da ilha deverão continuar em abril, salvaguardando as linhas vermelhas ditadas por Macron: a manutenção da Córsega na República francesa e a recusa “de que haja duas categorias de cidadãos na República”.