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Coronavírus: duas cidades em quarentena, 20 milhões de máscaras compradas em Macau

Até ao momento foram reportados 600 infetados e 17 pessoas morreram devido ao surto do coronavírus com origem na cidade chinesa de Wuhan. As autoridades fecharam acessos à cidade e o combate à doença é agora prioridade nacional. A infeção continua a espalhar-se e chegou a Macau, onde foram compradas 20 milhões de máscaras.
Pacientes aguardam ser atendidos num hospital em Wuahn, China, janeiro de 2020.
Pacientes aguardam ser atendidos num hospital em Wuahn, China, janeiro de 2020. Foto de LUSA/EPA/STRINGER CHINA OUT.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde discute esta quinta-feira se declara estado de emergência de saúde ao nível global devido surto de coronavírus, as autoridades chinesas colocaram a cidade de Wuhan, foco da infeção, de “quarentena”.

Os transportes públicos foram suspensos na manhã desta quinta-feira na cidade de onze milhões de habitantes e estes foram avisados para não sair da sua zona. As portagens das auto-estradas foram encerradas, cortando acessos rodoviários. O mesmo tipo de medidas foram tomadas em Huanggang, cidade vizinha de seis milhões.

À Associated Press, Gauden Galea, representante da OMS na China, declarou a propósito desta iniciativa: “ao que sei, tentar conter uma cidade de onze milhões de pessoas é algo novo para a ciência. Nunca foi tentado antes como medida de saúde pública. Não podemos nesta etapa dizer se vai funcionar ou não”.

Xi Jinping, o presidente chinês, veio a terreiro dizer que é uma prioridade nacional controlar e combater este vírus: “comités partidários, governos e departamentos relevantes a todos os níveis devem colocar a vida e a saúde das pessoas em primeiro lugar. É necessário divulgar informação sobre a epidemia atempadamente e aprofundar a cooperação internacional.”

Os avisos presidenciais não são por acaso. No surto de Síndroma Respiratório Agudo, outra forma de coronavírus que atingiu o país em 2002, tudo correu mal na gestão do caso pelo governo chinês, desde a tentativa de minimizar e esconder informação, à resposta atrasada e ineficaz. Não sendo um vírus comparável, por ser considerado mais forte que o atualmente detetado, causou 750 mortes e contaminou mais de oito mil pessoas no mundo.

Desta feita tenta-se evitar males maiores. Até porque, em época de comemorações do Ano Novo Lunar e com centenas de milhões de chineses a deslocar-se pelo país devido às férias, o governo teme que a contaminação se espalhe mais rapidametne. Por exemplo, sete grandes estreias cinematográficas planeadas para esta altura foram canceladas ao nível nacional.

A última declaração da Comissão Nacional de Saúde chinesa apresentava 571 casos e 17 mortos. E os números de casos confirmados estarão muito abaixo do total real de infetados. O Imperial College de Londres avançava na quarta-feira passada com o cálculo de quatro mil casos apenas em Wuhan.

Este novo tipo de coronavírus terá começado a transmitir-se num mercado local de Wuhan onde se vendem, ilegalmente, animais selvagens. As cobras são o suspeito principal neste momento mas não se descartaram ainda outras hipóteses como os texugos ou as ratazanas. Inicialmente não havia provas de contágio entre humanos, o que entretanto já se confirmou. Assim, para além da quarentena de cidades inteiras, aqueles que foram infetados estão a ser colocados em caixas de plástico com ar filtrado de forma a prevenir mais contágios.

Da cidade até agora desconhecida, a doença passou para vários pontos do país e do continente asiático: Tailândia, Japão, Taiwan e Coreia do Sul. Em Macau são conhecidos dois casos. E chegou aos EUA com um caso registado. Aeroportos de vários países tomam agora medidas especiais para verificar se passageiros dos pontos de origem da infeção estão contaminados.

Macau: vinte milhões de máscaras mas só para residentes

As autoridades de Macau anunciaram que foi confirmado um segundo caso de infeção na região, um cidadão chinês de 66 anos proveniente de Wuhan. Os Serviços de Saúde asseguraram que foi detetada febre à entrada da região, tendo sido imediatamente enviado para o Serviço de Urgência Especial do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

Anteriormente tinha sido uma mulher de 52, comerciante de Wuhan, que se tornou o primeiro caso conhecido em Macau, levantando alarme. Segundo o jornal Hoje Macau, espaços públicos como paragens de autocarro e mercados estão a ser alvo de operações de limpeza, os trabalhadores de serviços públicos e casinos responsáveis por atendimento vão usar máscaras e vai reforçar-se o controlo nas escolas e nas entradas de Macau.

Para além disto, as autoridades anunciaram também a compra de vinte milhões de máscaras de proteção a que apenas os residentes terão direito. Sendo recomendado o uso de uma máscara por dia, o direto dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, afirmou ao jornal Ponto Final que cada cidadão terá, por agora, direito a dez máscara.

As máscaras de proteção tinham esgotado nas farmácias assim que se soube do primeiro caso de infeção. Nas poucas em que existem nesta quinta-feira, segundo o mesmo jornal, o seu preço está inflacionado.

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