"O governo do Egito decidiu que não podem ter lugar atividades nos pavilhões no dia 7 de novembro", informou a ONU num email citado pelo Guardian. A razão para impedir as ONG de realizarem os seus eventos nesta "zona azul" no primeiro dia da Cimeira do Clima, que se realiza em Sharm el-Sheik até 18 de novembro, são motivos de segurança. A exceção serão os eventos em que participem chefes de Estado.
As ONG receberam a notícia com desconfiança em relação aos motivos apresentados e dizem que podem ser obrigadas a cancelar eventos já programados. "As cimeiras internacionais da ONU sobre o clima não são só para chefes de Estado e ministros", diz James Lloyd, organizador do Pavilhão Natureza Positiva. "Estamos preocupados por este encerramento dos pavilhões no primeiro dia da cimeira poder afastar espaços imprescindíveis para este diálogo, impedindo os eventos e discussões importantes" para a agenda ambientalista, disse ao Guardian.
Nestes eventos, é habito participarem figuras com proveniências distintas, que vão de líderes indígenas e executivos de topo das multinacionais, a par de responsáveis políticos ou celebridades do mundo do espetáculo. Na "zona azul" têm lugar as negociações entre delegações nacionais, mas as ONG, observadores e jornalistas têm acesso livre. A segurança do espaço é da responsabilidade da polícia da ONU e algumas partes da "zona azul" costumam ser vedadas quando se realizam reuniões entre chefes de governo, mas isso nunca obrigou ao cancelamento de eventos já agendados. Há também a "zona verde", onde as empresas expoem as suas inovações do ponto de vista ambiental e que é aberta ao público em geral.
"Fechar os pavilhões e impedir este diálogo no início da conferência restringe o impacto que podemos alcançar. No Pavilhão dos Sistemas Alimentares temos uma aliança de organizações que se juntaram para trazer soluções e oportunidades que os sistemas alimentares oferecem para termos um impacto positivo no nosso clima, mas não podemos fazer isso se não estivermos na sala", queixa-se Kate Cooke, organizadora deste espaço.
A organização da cimeira por parte de um regime que oprime os defensores dos direitos humanos e torna impossível a atividade das ONG no seu território tem sido alvo de muitas críticas desde que foi atribuído ao Egito o papel de anfitrião da COP27. As organizações da sociedade civil que ali estarão presentes temem que os egípcios sejam impedidos de participar em manifestações de rua, que costumam ser o ponto alto da mobilização pelo clima durante estas cimeiras.