“A COP26 foi criada para falhar”

03 de novembro 2021 - 12:37

Em entrevista à Sic-Notícias, a ativista da Climáximo Mariana Gomes diz que a cimeira do clima voltará a ser “um belo teatro” que resultará no aumento de emissões de gases poluentes.

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"Foto de família" no segundo dia da COP26.
"Foto de família" no segundo dia da COP26. Foto Andrew Parsons / No 10 Downing Street / Flickr

Enquanto decorre a cimeira do Clima em Glasgow, os ativistas pela justiça climática reforçam as críticas aos governantes ali representados por voltarem a falhar o cumprimento das recomendações dos cientistas.

“Neste momento, já sabemos o que esperar da COP26, que é exatamente o que já esperamos desde a primeira COP – que é mais velha do que eu. A COP vai falhar porque a COP foi criada para falhar. Já 121 países declararam quais são as suas propostas para cortar emissões e, essas propostas, de acordo com os cientistas, equivalem a um aumento de 2,7ºC até 2100. Mais uma vez não cumpre o Acordo de Paris que, tal como as COP, foi definido para falhar. A minha expectativa é que será um belo teatro”, afirmou esta quarta-feira à Sic-Notícias a ativista da Climáximo, Mariana Gomes.

Além de deixarem de lado “a maior causa das alterações climáticas, que são os combustíveis fósseis”, os governantes prometem avançar no caminho da “mercantilização do carbono”, iniciado no Protocolo de Quioto. “Enquanto nós continuarmos a aumentar as dívidas neocolonialistas com os países mais pobres - porque é lá que os países mais ricos vão emitir para não contabilizarem essas emissões nos seus países - não vale a pena falar de carbono, que hoje se trata de um mercado”, referiu Mariana Gomes, concluindo que neste contexto, “falar em redução de emissões de gases com efeito de estufa não passa de teatro”.

“As emissões de gases com efeito de estufa não param de aumentar, há cada vez mais novos projetos de exploração de petróleo, gás e carvão - o carvão é um dos combustíveis com mais procura a partir de 2021 - e não faltam planos, mesmo do Governo português, para aumentar todas as emissões”, prosseguiu a ativista da Clmáximo.

No caso português, Mariana Gomes diz que “não há qualquer plano de transição energética ou de transição justa para os trabalhadores até hoje definido”. Nesse sentido, “o que vimos acontecer há dois meses com o encerramento da refinaria de Matosinhos e o despedimento em massa de todos os trabalhadores, será o que iremos continuar a ver nos próximos meses e anos porque o Governo não tem qualquer plano para estas infraestruturas”, lamentou a ativista.