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COP 27 incapaz de gerar novo compromisso para redução de emissões

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reconheceu a insuficiência das medidas acordadas e alertou que “o mundo ainda precisa de dar um salto de gigante na ambição climática”.
Imagem da página de facebook da Cop 27.

O acordo alcançado no sentido da criação de um fundo para financiar perdas e danos causados pelos efeitos das alterações climáticas nos países “particularmente vulneráveis” é curto para responder à urgência climática que enfrentamos. Essa é a opinião de especialistas e ativistas e do próprio secretário-geral das Nações Unidas. Acresce que o processo de criação e financiamento do fundo está em aberto.

“É essencial haver um fundo para as perdas e danos – mas não é a resposta, se a crise climática fizer desaparecer do mapa um pequeno Estado insular ou transformar todo um país africano num deserto. O mundo ainda precisa de dar um salto de gigante na ambição climática”, afirmou António Guterres, citado pelo jornal Público.

“Sejamos claros: o nosso planeta ainda está no serviço de urgência. Temos de reduzir drasticamente as emissões agora – e este tema não foi abordado pela COP27”, continuou o secretário-geral das Nações Unidas.

Também Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia, e líder da missão europeia em Sharm el-Sheikh, considera que a conferência ficou aquém das expectativas: “Peço-vos que reconheçam, quando saírem desta sala, que não fizemos todas as acções que podíamos na questão das perdas e danos. Devíamos ter feito muito mais, os cidadãos esperavam muito mais de nós. Isso significava: reduzir mais rapidamente as emissões”, vincou.

Timmermans assinalou que, sendo esta uma “década decisiva”, o que “temos à nossa frente não é suficiente para representar um passo em frente para as pessoas e para o planeta”. “Demasiados países não estão prontos hoje a avançar mais na luta contra a crise climática”, continuou.

Lidy Nacpil, do Movimento dos Povos Asiáticos sobre a Dívida e o Desenvolvimento, citada pelo Guardian, referiu que “a falta de progresso no abandono progressivo dos combustíveis fósseis mostra a hipocrisia dos governos dos países ricos e o seu blá-blá acerca de manter a subida da temperatura abaixo de 1,5 graus”.

“Temos de aumentar ainda mais a nossa luta – nos nossos países e nas arenas internacionais”, defendeu.

Em comunicado conjunto, a Zero e da Oikos apontam que a COP27 foi marcada por “uma tentativa de corroer a confiança neste limite [1,5 graus]”. “Os mais recentes relatórios mostram-nos que estamos num caminho que está completamente desenquadrado deste objectivo. Contudo, ainda é possível cumprir o 1,5ºC, que não é um objectivo, é um limite (que não deve ser ultrapassado)”, destacam.

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