A greve dos controladores aéreos franceses, iniciada na terça-feira e que deverá decorrer até domingo, está a afetar os voos em Portugal e a criar grande confusão nos aeroportos. Pelo menos 30 voos foram cancelados, nesta quarta-feira, em Lisboa, Porto e Faro, a maioria dos quais das companhias aéreas TAP e Ryanair. Por coincidência, ocorre também esta quarta-feira a greve dos trabalhadores de ‘handling’ da Groundforce do aeroporto de Lisboa, entre as 15h e as 22h, convocada pelo Sitava – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos.
Equipamentos obsoletos
Os sindicalistas denunciam que todos os ecrãs de radar do centro de controlo de Aix-en-Provence foram recentemente substituídos de emergência depois de vinte deles terem ficado inoperantes em 18 meses.
Os controladores aéreos franceses denunciam os recursos destinados à navegação aérea inscritos no “plano de performance” de 2015-2019 e que os sindicatos consideram insuficientes para a necessária modernização dos sistemas. A greve não conta com a participação do principal sindicato do setor, mas todos concordam que os equipamentos de navegação estão obsoletos, entre os quais um que data dos anos 1980. Os sindicalistas denunciam que todos os ecrãs de radar do centro de controlo de Aix-en-Provence foram recentemente substituídos de emergência depois de vinte deles terem ficado inoperantes em 18 meses.
Greve do “handling” na Portela
Quanto à greve do “handling” da Groundforce, o objetivo é permitir que os trabalhadores da empresa compareçam a uma concentração e um plenário que estão marcados na tarde desta quarta-feira junto ao terminal de chegadas do aeroporto da Portela, disse à Lusa Fernando Henriques, do Sitava, à Lusa.
“Nos dias que correm, qualquer irregularidade terá sempre algum impacto na operação, nomeadamente no que respeita a atrasos de voos, tendo em atenção a época alta em que estamos”, afirmou o sindicalista.
Reivindicações em debate
Trabalhadores do "handling" querem negociar um contrato coletivo para o setor, integrando a Groundforce, a Portway e um eventual terceiro operador que venha a entrar nos aeroportos.
Na concentração e no plenário estarão em discussão a questão dos horários de trabalho definidos pela empresa, com os quais os trabalhadores não concordam. Outra questão é a eventual venda à Urbanos dos 49,9% da Groundforce que estão ainda nas mãos da TAP, que tem vindo a ser falada mas com a qual o sindicato não concorda, até porque poderá significar perderem o principal cliente.
“Se a TAP deixasse de ser acionista, deixaria também de ser nosso cliente”, receia Fernando Henriques.
Outra reivindicação é a negociação de um contrato coletivo para o setor, integrando a Groundforce, a Portway e um eventual terceiro operador que venha a entrar nos aeroportos.
“A concorrência deixaria de se fazer pela concorrência de salários”, defendeu o sindicalista, acrescentando que isso tem levado a cortes em ordenados, despedimentos laborais e a “um viveiro coletivo de trabalhadores precários em todo o país”.