Na sexta-feira tinha sido em Lisboa e Coimbra. No sábado, foi a vez da Ericeira. Este domingo, Dia Mundial da Criança, foi a vez do Porto e de Setúbal completarem a Ação Nacional pelas crianças de Gaza promovida pelo Coletivo pela Libertação da Palestina, o grupo Parents for Peace e muitos outros cidadãos.
No Porto, mais de uma centena de pessoas juntou-se ao pé de Serralves pela manhã aproveitando o evento Serralves em Festa para dar a conhecer a sua posição. Tal como nas outras ações, muitas pessoas trouxeram bonecos que simbolizavam as pelo menos 16 mil crianças que foram já assassinadas por Israel em Gaza. Com os bonecos ao colo, traziam também cartazes com o nome de uma das crianças vítimas do sionismo. Depois, à tarde, na Avenida do Brasil, foram espalhadas roupas de criança pelo chão pelo mesmo motivo.
À Lusa, Catarina Milhazes, porta-voz da ação, afirmou que “o mais insuportável é que isto se tornou ‘normal’. É um escândalo humanitário, mas já não indigna como devia. Tornou-se ruído de fundo. A nossa capacidade de nos comovermos parece anestesiada. Como se isto não tivesse responsáveis”.
Ela explica que mães e pais que vieram a esta ação “não são tipicamente ativistas” mas pessoas que se sentem “revoltadas” com aquilo que é “inquestionavelmente já um genocídio”. Criticou ainda silêncio das instituições europeias e do Governo português e disse que “é chegada a hora de “responsabilizar as instituições que não fazem nada perante aquilo que a população do mundo está a dizer”.
Para além das iniciativas simbólicas como esta, apelou a outras como “o boicote comercial aos produtos israelitas, que é decisivo para enfraquecer a economia de Israel e levar a que as próprias pessoas, os israelitas que lá vivem, sintam que têm que parar aquilo também”.
Em Setúbal, na Praça do Bocage, a causa era a mesma e o protesto foi parecido ao do Porto e aos de outros locais nos dias anteriores com roupas de criança espalhadas pelo chão e colocadas num estendal e faixas e cartazes como um a dizer “porque razão uns povos podem pegar em armas para se libertarem e a Palestina não pode?”
Em roda aberta de conversa, sucederam-se intervenções a explicar os motivos da presença na ação que pretendia mostrar que “há pessoas que não ficam indiferentes”. Voltaram-se a referir as mortes, o sofrimento que afeta todo o povo palestiniano e o “maior número de crianças amputadas da história da humanidade”.