Consumo mundial de carvão com recorde histórico em 2023

19 de dezembro 2023 - 21:19

Agência Internacional de Energia avançou que a procura global de carvão ascendeu a 8,53 mil milhões de toneladas, justificada sobretudo pelo forte aumento na China, na Índia e na Indonésia.

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Foto de PxHere.

Ao mesmo tempo que fomos confrontados com os alertas, nomeadamente por parte do observatório europeu Copérnico, de que, "com quase toda a certeza", as temperaturas médias do planeta ultrapassarão este ano o recorde anual registado em 2016, a Agência Internacional de Energia (AIE) atingiu um novo recorde histórico em 2023.

A AIE destacou que este aumento se deve, essencialmente, à elevada procura pelo carvão na Ásia. Na China, o consumo registado aumentou 220 milhões de toneladas, o equivalente a uma subida de 4,9% face a 2022. Já na Índia registou-se um crescimento de 8%, o correspondente a 98 milhões de toneladas. Na Indonésia foram mais 23 milhões de toneladas, ou seja, um acréscimo de 11%.

Por sua vez, o consumo abrandou na Europa em 23%, menos 107 milhões de toneladas, e em 21% nos Estados Unidos, com menos 95 milhões de toneladas, ou seja, 21%. Com a guerra na Ucrânia, a AIE revela ter dificuldades em fazer previsões para a Rússia.

A combustão do carvão para produzir energia ou para fins industriais emite para a atmosfera uma grande parte do dióxido de carbono (CO2) responsável pelo aquecimento global.

Ainda assim, o acordo alcançado no Dubai no âmbito da 28.ª Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas (COP28) é insuficiente, continua a abrir a porta aos combustíveis fósseis e fracassa nos objetivos de redução do aquecimento global.

Deixou-se cair a expressão defendida pelas Nações Unidas de “eliminação gradual dos combustíveis fósseis”, substituindo-a pela expressão “transição para fora dos fósseis” e manteve-se a porta aberta à exploração de petróleo e gás natural. O documento omite qualquer referência à redução efetiva de emissões a partir de 2025 e falha no compromisso ao financiamento às perdas e aos danos causados pelas alterações climáticas nos países mais pobres. Acresce que o acordo alcançado também falha em ter compromissos claros na redução das emissões de gases com efeito de estufa e no financiamento de políticas de transição nos países mais pobres do sul global.