Energia

Consumo de combustíveis fósseis bateu novo recorde no ano passado

20 de junho 2024 - 12:34

O aumento na produção de energias renováveis em 2023 não significou uma queda na procura do gás e petróleo. Fatia dos combustíveis fósseis na produção total de energia continua acima dos 80%.

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Central elétrica inglesa Ratcliffe-on-Soar, movida a carvão.
Central elétrica inglesa Ratcliffe-on-Soar, movida a carvão. Foto de Gerry Machen/Flickr

As expetativas otimistas de que o planeta tivesse atingido um pico no consumo de combustíveis fósseis, seguindo-se um declínio na utilização do gás, petróleo e carvão como fonte de energia, é desmentida pelos números do ano passado do Energy Institute, organização criada pelos gigantes da indústria energética num relatório anual que desde os anos 1950 serve de referência para os profissionais do setor. Um trabalho que era da autoria da BP e desde o ano passado passou a ser elaborado pelas consultoras KPMG e Kearney.

O relatório indica que apesar de um aumento recorde de 13% no consumo de energias renováveis, isso foi insuficiente para travar o aumento do consumo de combustíveis fósseis, que se cifrou em 1,5%. A fatia fóssil do total da energia consumida foi de 81,5%, quando em 2022 tinha sido de 82%. Dessa forma, as emissões de CO2 para a atmosfera bateram também um novo recorde, ultrapassando as 40 gigatoneladas.

Os números deste ano não preveem que a situação mude, com o consumo de gás a manter-se ao mesmo nível do ano passado, o do carvão a subir 1,6% e o do petróleo 2%, ultrapassando os 100 milhões de barris diários pela primeira vez.

Os números globais escondem no entanto diferenças na utilização das fontes de energia. "Nas economias avançadas, observamos sinais de que a procura de combustíveis fósseis está a atingir o seu pico, o que contrasta com as economias do Sul global, onde o desenvolvimento económico e a melhoria da qualidade de vida continuam a impulsionar o crescimento dos combustíveis fósseis", afirmou Nick Wayth, o diretor daquele instituto.

Se na Europa o uso de combustíveis fósseis ficou abaixo dos 70% de toda a produção energética pela primeira vez desde a Revolução Industrial, devido ao crescimento das renováveis e à quebra na procura - sobretudo do gás que vinha da Rússia, à semelhança do que aconteceu em 2022 após a invasão da Ucrânia -, na Índia o consumo de combustíveis fósseis aumentou 8%, perfazendo 89% do total da energia consumida no país. No caso do carvão, pela primeira vez foi mais usado na India do que na Europa e América do Norte juntas.

A China criou mais capacidade de produção de energias renováveis do que o resto do mundo todo somado e pela primeira vez o consumo de energia per capita chinês ultrapassou o europeu. Além do aumento da procura por parte da indústria exportadora, a expansão dos centros de dados gigantescos e da infraestrutura 5G e de carregamento de automóveis ajudam a explicar este aumento, se bem que, como lembra Nick Wayth, “não podemos ignorar a quantidade de energia e emissões que os europeus exportaram efetivamente para os fabricantes chineses” que abastecem o mercado europeu.