Lutas

Construir o poder popular nos bairros: Assembleia do Movimento Vida Justa encheu o Mbongi

17 de novembro 2025 - 13:37

Mais de uma centena de pessoas reuniram-se para afirmar que o poder popular é a resposta às injustiças da habitação, do trabalho e da discriminação.

porTiago Santos

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Frente da manifestação Vida Justa em Lisboa em outubro de 2023.
Frente da manifestação Vida Justa em Lisboa em outubro de 2023. Foto Tiago Petinga/Lusa

No dia 16 de novembro, o Espaço Cultural Mbongi, no Monte Abraão (Sintra), foi palco de uma assembleia organizada pelo Movimento Vida Justa sob o lema “Construir o poder popular nos bairros”. Mais de uma centena de pessoas reuniram-se para afirmar que o poder popular é a resposta às injustiças da habitação, do trabalho e da discriminação.

Entre os presentes ouviram-se testemunhos de moradores e ativistas de vários bairros como o Talude, Penajoia ou Urmeira, mas também de trabalhadores e habitantes da Linha de Sintra à Margem Sul, passando por Loures, Odivelas, Amadora, Vialonga, entre outros. A diversidade das vozes refletiu a realidade de quem enfrenta diariamente problemas de habitação, precariedade laboral e discriminação, mostrando que estas lutas não são isoladas, mas sim parte de uma mesma batalha contra um sistema que insiste em colocar o lucro acima da vida.

Durante a assembleia, a questão dos despejos e do direito à habitação ocupou o centro do debate, revelando como centenas de famílias continuam a ser empurradas para a insegurança e para a exclusão. Vários testemunhos expõem que mesmo trabalhando a tempo inteiro, tendo até mais do que um emprego, o salário não chega para pagar a habitação, obrigando muitas pessoas a recorrer à autoconstrução para garantir um teto. 

O chamado pacote laboral foi duramente criticado, por representar mais um ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores e por aprofundar a precariedade que marca a vida de quem vive do seu salário. Também se destacou a urgência de defender os direitos dos imigrantes, que continuam a enfrentar barreiras e discriminações, apesar de serem parte fundamental da vida e da força de trabalho nos nossos bairros e cidades.

A assembleia popular apontou ainda para o futuro, com novas ações do Movimento Vida Justa e a necessidade de ampliar a mobilização, através da distribuição de cartazes e folhetos informativos nas comunidades, conversas com trabalhadores e participação em manifestações reafirmando que só a organização popular pode enfrentar a injustiça e construir alternativas reais.

Um dia de resistência e esperança

O encontro foi marcado por energia e solidariedade, mostrando que o poder popular existe e resiste. A assembleia reafirmou que a organização comunitária é uma das maiores armas de luta nos tempos difíceis que atravessamos. 

Mais do que nunca, fez sentido o lema que ecoou na sala: “Estamos juntos, estamos fortes!”

Tiago Santos
Sobre o/a autor(a)

Tiago Santos

Rapper, produtor e ativista suburbano, conhecido como CADI. Criado na Linha de Sintra, muito ligado a movimentos sociais, escreve sobre política e sociedade com voz crítica e comunitária
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