No dia 16 de novembro, o Espaço Cultural Mbongi, no Monte Abraão (Sintra), foi palco de uma assembleia organizada pelo Movimento Vida Justa sob o lema “Construir o poder popular nos bairros”. Mais de uma centena de pessoas reuniram-se para afirmar que o poder popular é a resposta às injustiças da habitação, do trabalho e da discriminação.
Entre os presentes ouviram-se testemunhos de moradores e ativistas de vários bairros como o Talude, Penajoia ou Urmeira, mas também de trabalhadores e habitantes da Linha de Sintra à Margem Sul, passando por Loures, Odivelas, Amadora, Vialonga, entre outros. A diversidade das vozes refletiu a realidade de quem enfrenta diariamente problemas de habitação, precariedade laboral e discriminação, mostrando que estas lutas não são isoladas, mas sim parte de uma mesma batalha contra um sistema que insiste em colocar o lucro acima da vida.
Habitação
“A nossa luta não termina sem uma vida digna”: concentração juntou centenas contra crise habitacional
Durante a assembleia, a questão dos despejos e do direito à habitação ocupou o centro do debate, revelando como centenas de famílias continuam a ser empurradas para a insegurança e para a exclusão. Vários testemunhos expõem que mesmo trabalhando a tempo inteiro, tendo até mais do que um emprego, o salário não chega para pagar a habitação, obrigando muitas pessoas a recorrer à autoconstrução para garantir um teto.
O chamado pacote laboral foi duramente criticado, por representar mais um ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores e por aprofundar a precariedade que marca a vida de quem vive do seu salário. Também se destacou a urgência de defender os direitos dos imigrantes, que continuam a enfrentar barreiras e discriminações, apesar de serem parte fundamental da vida e da força de trabalho nos nossos bairros e cidades.
A assembleia popular apontou ainda para o futuro, com novas ações do Movimento Vida Justa e a necessidade de ampliar a mobilização, através da distribuição de cartazes e folhetos informativos nas comunidades, conversas com trabalhadores e participação em manifestações reafirmando que só a organização popular pode enfrentar a injustiça e construir alternativas reais.
Um dia de resistência e esperança
O encontro foi marcado por energia e solidariedade, mostrando que o poder popular existe e resiste. A assembleia reafirmou que a organização comunitária é uma das maiores armas de luta nos tempos difíceis que atravessamos.
Mais do que nunca, fez sentido o lema que ecoou na sala: “Estamos juntos, estamos fortes!”