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Conservadores acusam Boris Johnson de “vandalismo cultural” por ataques à BBC

O plano do primeiro-ministro para a televisão pública britânica passa por fechar rádios e reduzir canais de tv e substituir a taxa audiovisual por uma assinatura, revela a imprensa deste fim de semana.
BBC
Foto chiefmoamba/Flickr

Segundo a edição do Sunday Times deste domingo, Boris Johnson prepara-se para abrir guerra à BBC, reduzindo em muito a dimensão da empresa pública de notícias. A revolução passaria pela criação de uma subscrição online para ter acesso aos conteúdos da BBC, substituindo a taxa audiovisual paga por quem tenha televisão.

A previsível redução no financiamento da empresa teria consequências graves no seu funcionamento, que passariam por cortes nos canais de rádios e tv. “Tem de haver um modelo de subscrição. Eles têm centenas de etsações de rádio, têm todos estes canais de tv e um site gigante na internet. Tudo isto precisa de ser muito cortado”, afirmou uma fonte governamental ao Sunday Times.

A mesma fonte que divulgou este plano à imprensa defende que a BBC passe a ter “algumas estações televisivas, um par de estações de rádio, uma presença online muito reduzida e investir mais no Serviço Mundial, que é parte da sua missão fundamental”.

Os rumores da passagem a um regime de subscrição já tinham sido criticados pelo presidente da BBC, David Clementi na semana passada, ao afirmar que isso iria prejudicar a capacidade da BBC de “unir o país”.

Para ganhar popularidade para estes cortes, o governo aponta ainda o dedo às estrelas da estação pública de televisão, acusando-as de acumularem salários milionários com trabalhos fora da empresa pelos quais também são bem remunerados.  “Eles constroem a sua reputação à custa dos contribuintes. A BBC devia impedir imediatamente esta conduta e dar o dinheiro a boas causas”, diz uma fonte governamental citada pelo Guardian.

A proposta foi mal recebida nalguns setores do Partido Conservador. O deputado e ex-governante Damien Green diz que “destruir a BBC não fazia parte do nosso manifesto leitoral e seria vandalismo cultural”. “‘Vota Conservador e fecha a Radio 2’. A sério?”, pergunta o deputado nas redes sociais.

Outro deputado da bancada conservadora, Huw Merriman, também anotou a contradição entre a promessa eleitoral de ajudar a BBC a construir novas parceria internacionais e o plano agora divulgado por fontes do governo. “Não acho que esta vingança contra a BBC vá acabar bem”, afirmou o deputado no Twitter, acrescentando que não irá dar o seu apoio à medida.

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