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Conflito com a Câmara do Porto leva à retirada de exposição

Curadora da exposição “Uma questão de género” alega gravíssimos problemas de produção e a retirada de uma obra. Artistas repudiam coabitação com a sede da candidatura autárquica de Rui Moreira.
“Uma questão de Género” era uma exposição dedicada ao trabalho de mulheres artistas do Porto ou que com a cidade se relacionam

A exposição “Uma questão de género”, do projeto 1.ª Avenida, no edifício AXA, no Porto, foi mandada retirar na quarta-feira pela sua própria curadora Raquel Guerra, que alegou “gravíssimos problemas de produção”.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, um grupo de artistas que participavam da exposição solidarizou-se com a decisão da curadora, manifestando a sua indignação com a desmontagem por parte da equipa de produção de uma obra, de Cristina Regadas, “rompendo a confiança mínima exigível entre os criadores e as instituições culturais”. Além disso afirmam recusar a coabitação no mesmo edifício com a sede de campanha da candidatura autárquica de Rui Moreira.

“Uma questão de Género” era uma exposição dedicada ao trabalho de mulheres artistas do Porto ou que com a cidade se relacionam (ou porque na cidade estudaram e/ou porque nela vivem). O objetivo do projeto era mostrar um conjunto de obras de artistas de diferentes gerações, com diferentes linguagens estéticas, mas que investigam conceitos comuns como: a identidade, o género ou a sexualidade. A exposição incluía obras de 14 artistas em médias tão diversos como a pintura, a escultura, a fotografia, o desenho, o vídeo e a performance.

Total falta de respeito

Em declarações à Lusa, Raquel Guerra afirmou que a decisão de desmontar a exposição foi inteiramente sua, diante dos “problemas de produção e uma total falta de respeito por parte da Porto Lazer, a entidade promotora do evento”.

A curadora observou que “as sucessivas faltas de consideração pelos artistas” mostraram “que não houve mudança nenhuma por parte da Câmara, que o respeito que eles tinham antes pelos artistas é o mesmo”.

De acordo com Raquel Guerra, “a máquina de produção emperrou desde o momento da montagem”. Aliás, acrescentou, “a exposição inaugurou com algumas falhas graves e eu, nessa altura, enquanto curadora, já devia ter tomado esta atitude que tomei agora”.

A gota de água foi a desmontagem da peça da artista Cristina Regadas, sem ter sido dada qualquer informação prévia à curadora ou à artista.

Contaminante da identidade diversa

Os artistas subscritores do comunicado (Amarante Abramovici, Tiago Afonso, Carla Cruz, Cristina Regadas, Dalila Gonçalves, Paula Tavares, Rita Castro Neves e Sónia Carvalho). Manifestaram ainda a repulsa por todo o processo em torno da obra Portuguesa Monochrome, do artista Paulo Mendes, alegando a Porto Lazer que a obra não poderia permanecer exposta no local escolhido pelo artista após o dia 3 de maio, porque seria "contaminante da identidade diversa que se pretende construir para o programa imaterial” do 1ª Avenida.

Ora, para os artistas, coabitar no edifício AXA com a sede de campanha da candidatura autárquica de Rui Moreira, isso sim seria claramente "contaminante" da identidade das propostas artísticas.

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