Confissão relança investigação sobre execução de Marielle

26 de julho 2023 - 21:25

Ministro da Justiça brasileiro anunciou esta semana que um dos suspeitos confessou e revelou detalhes novos sobre o assassinato de Marielle Franco.

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Fotografia: commons/wikimedia.org Fotografia: commons/wikimedia.org

Cinco anos após o assassinato da vereadora do PSOL e do motorista Anderson Gomes, a investigação do crime, paralisada há bastante tempo, ganhou um novo fôlego.

Na segunda-feira, 24 de julho, o ministro da Justiça, Flavio Dino, convocou a imprensa para anunciar que o suspeito Élcio de Queiroz, ex-polícia militar preso em 2019, tinha confessado e o crime e facultado mais detalhes sobre a operação que resultou na execução de Marielle Franco.

“Esperamos que essas confissões permitam identificar os patrocinadores”, frisou Flavio Dino, garantindo que o Governo Lula não desistirá de encontrar os responsáveis pelo assassinato.

Em delação premiada, Élcio Queiroz confirmou a sua participação e a do ex-polícia militar Ronnie Lessa no crime. A sua confissão levou ainda à detenção de outro suspeito pela Polícia Federal, o ex-bombeiro Maxwell Simões Correa, o Suel.

O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou, em conferência de imprensa, que Simões Correa "teve um papel importante, antes e depois do crime", em especial no planeamento da execução de Marielle Franco.

De acordo com Élcio, o esquema foi iniciado pelo próprio Suel, que entregava a Ronnie Lessa um total de 10 mil reais por mês: 5 mil reais destinados ao pagamento do advogado de defesa e outros 5 mil para auxiliar nas despesas de Élcio. O delator adiantou que deixou de receber ajuda financeira "do nada".

Élcio desvendou que foi o sargento da Polícia Militar Edmilson da Silva de Oliveira, o Macalé, assassinado em 2021, quem apresentou a Ronnie Lessa o "trabalho" de executar Marielle. O mecânico Edilson Barbosa dos Santos, o Orelha, também foi visado nas declarações de Élcio, que explicou que o mesmo foi abordado por Suel para se livrar do veículo usado no atentado contra Marielle.

O advogado de Élcio, João Henrique Santana Telles, afirmou que “foi surpreendido e desconhecia completamente a intenção e a execução da delação premiada já homologada por parte do réu”, pelo que pediu a renúncia do cargo.

A irmã de Marielle Franco, Anielle, atual ministra da Igualdade Racial, está convencida de que “alguém com muito dinheiro, muito poder" é responsável pelo assassinato da vereadora. Até que o mandante seja desmascarado, “todas as mulheres no poder estarão em perigo… e os negros também”, alerta. Mas Anielle Franco, citada pela correspondente da RFI em São Paulo, está convicta de que o crime será solucionado”.