Está aqui

Promotoras da investigação ao assassinato de Marielle demitem-se

As investigadoras dizem que há “intervenção externa” no caso. Desde o início, o caso já teve quatro diferentes responsáveis policiais à sua frente. Um dos principais suspeitos foi condenado por destruição de provas por ter lançado armas ao mar.
As promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio, Letícia Emili Alqueres Petriz, Simone Sibílio e Carmen Eliza Bastos de Carvalho dão informações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Outubro de 2019. Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil.
As promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio, Letícia Emili Alqueres Petriz, Simone Sibílio e Carmen Eliza Bastos de Carvalho dão informações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Outubro de 2019. Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil.

As duas promotoras do Ministério Público do Rio de Janeiro que têm estado a investigar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, demitiram-se do grupo responsável pelo caso, segundo anunciou em nota este órgão.

Simone Sibilio e Letícia Emile pegaram na investigação em setembro desse ano. Segundo a TV Globo, saem agora por “receio e insatisfação com interferências externas” que não foram especificadas. Mas o mesmo órgão de comunicação social relaciona esta insatisfação com divergências sobre o testemunho da viúva de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro. Este era acusado de chefiar o grupo criminoso denominado “Escritório do Crime” e uma milícia na Zona Oeste da cidade, vários membros do seu grupo foram presos durante a investigação do caso de Marielle. Adriano acabou por ser morto em fevereiro num suposto confronto com a polícia.

A viúva do ex-polícia militar, Júlia Lotufo, está em prisão domiciliária por associação criminosa e lavagem de dinheiro e terá querido fazer uma “delação premiada” em que prometia revelar informações sobre ligações de políticos brasileiros ao crime organizado do Rio de Janeiro. Um processo intermediado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e que chegou ao Procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos. Ela chegou a ser ouvida pelas promotoras que teriam, diz a Globo, encontrado inconsistências no seu relato. Apesar disso, os responsáveis do Ministério Público continuaram a ponderar aceitar a proposta da delação.

As promotoras do Ministério Público estadual não são as únicas a abandonar o caso. Antes delas, o delegado policial Moysés Santana, responsável também pela investigação, foi substituído por Henrique Damasceno, o quarto delegado a assumir a tarefa. Primeiro, no dia a seguir ao crime, Giniton Lages, ficou responsável pela delegacia de homicídios. Depois, em 2019, a seguir à prisão de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, entrou em funções Daniel Rosa. Já em 2020, foi a vez de Moysés Santana.

A saída das responsáveis pela investigação causou preocupação. Na sua conta do Twitter, Anielle Franco, irmã de Marielle, lamentou a sua saída, dizendo que depositava muita confiança e esperança nas duas, questionando-se sobre quais as interferências externas referidas.

A Amnistia Internacional Brasil também se pronunciou no mesmo sentido, dizendo em comunicado estar preocupada. Para a organização, “toda e qualquer suspeita de que a investigação possa sofrer interferências indevidas deve ser investigada”, referindo igualmente que “é fundamental que as autoridades possam dialogar com as famílias de vítimas de violações de direitos humanos, assim como com as organizações que as apoiam, para que possam demonstrar quais providências têm adotado”.

Um dos acusados do crime condenado por destruição de provas

Entretanto, Ronnie Lessa, um dos acusados de ter cometido o crime e que se encontra preso, foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto devido a ter destruído provas. Foi dado como provado que ele, a mulher, um cunhado e dois amigos, que igualmente foram condenados, lançaram ao mar várias armas na Barra da Tijuca. Entre estas estará a submetralhadora HK MP5 que vitimou Marielle e Andreson,

Um pescador contou à Delegacia de Homicídios que dias depois da prisão de Lessa, um amigo seu o contratou para levar no seu barco seis armas que depois foram lançadas perto das ilhas Tijucas. As buscas nunca chegaram a encontrar estas armas.

Termos relacionados Internacional
(...)