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Três anos sem resposta do Estado brasileiro sobre o assassinato de Marielle Franco

A “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”, como se identificava a vereadora carioca do PSOL, e Anderson Gomes foram executados a 14 de março de 2018. Continuam por identificar os mandantes deste crime político. E continua a ser exigida justiça.
Marielle Franco. Foto Mídia Ninja.

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ex polícias militares, estão presos nas penitenciárias federais de Campo Grande e de Porto Velho, acusados de serem os executores do assassinato brutal de Marielle e Anderson, seu motorista. Irão responder perante um júri popular, ainda por agendar. Já aqueles que planearam este crime político continuam impunes. O histórico da investigação revela que, entre os suspeitos, figuram não só membros das milícias, mas também políticos do Estado do Rio de Janeiro.

"Quem mandou matar Marielle?": uma pergunta que permanece sem resposta. Por todo o mundo, continua a ser exigida justiça para a vereadora carioca e as suas lutas continuam vivas.

No prefácio à edição brasileira de Feminismo para os 99%: Um manifesto, de Cinzia Arruzza, Nancy Fraser e Tithi Bhattacharya, Talíria Petrone escreve:

"Marielle Franco encarnava no seu corpo, na sua história e nas suas lutas as pautas desse movimento feminista das 99%, internacionalista, anticapitalista e antirracista. Em vida, Marielle nunca se ausentou de um ato feminista sequer contra os golpes políticos, contra os cortes de direitos, contra o genocídio negro, pela descriminalização do aborto, pela vida das mulheres. Não por acaso foi assassinada, com quatro tiros nesse corpo socialista e libertário, um ano antes do lançamento deste livro, em 14 de março de 2018. Embora as investigações ainda não tenham sido concluídas, é possível afirmar que tramaram e executaram o plano de sua morte, em conluio, políticos e agentes do Estado envolvidos em milícias para-estatais. Mataram o seu corpo. O seu espírito de luta, não. Este livro, de certo modo é um manifesto que honra Marielle e todas as mulheres que como ela têm ido às ruas para tentar salvar a humanidade e o planeta."


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A deputada estadual do PSOL Renata Souza, que era sua assessora quando se deu o crime, afirma que “Marielle encarnava várias das vulnerabilidades do corpo ‘matável’ da nossa sociedade, que é o da mulher preta, pobre, favelada, LGBT".

"Foi um feminicídio político”, vinca.

“Mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”

Marielle Franco foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, com 46 502 votos naquela que foi a sua primeira disputa eleitoral. Durante um ano e três meses como vereadora carioca, Marielle organizou audiências públicas sob a questão de género e com integrantes do movimento negro. Participou de debates sobre educação, economia e ativismo na internet. Ela integrava a Frente em defesa da Economia Solidária. Nos últimos meses, preparava um projeto de lei para coibir o assédio nos autocarros municipais. Apresentava-se como “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”.

A vereadora do PSOL tinha-se tornado relatora da comissão de acompanhamento Intervenção Federal no Rio de Janeiro, tendo denunciado a violência da polícia do estado carioca, à época sob intervenção federal na segurança pública.

 

 

 

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