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Companhia holandesa desliga-se do roubo de águas aos palestinos

Ao contrário da portuguesa EPAL, o principal fornecedor de água potável da Holanda anunciou o fim das relações com a israelita Mekorot, por não respeitar o direito internacional.
Foto Agda Studio/Flickr

A Mekorot é conhecida e denunciada internacionalmente por se apoderar de águas palestinas dos territórios ocupados na Cisjordânia para abastecer os colonatos israelitas ilegais em condições extremamente vantajosas e revender uma pequena parte a preços exorbitantes aos seus proprietários palestinos.

No comunicado em que anuncia a decisão, a companhia holandesa Vitens informa que “atribui uma grande importância à integridade e respeita o direito nacional e internacional. ”Por isso, acrescenta, “após consultas a todas as partes envolvidas, entre as quais o ministério dos Negócios Estrangeiros (holandês), a companhia chegou à conclusão de que seria muito difícil desenvolver futuros projectos, visto estes não poderem ser considerados fora do seu contexto político.”

A decisão da Vitens contrasta com a insensibilidade e o ostensivo desrespeito pelo direito internacional manifestados pela portuguesa EPAL, que mantém a cooperação com a Mekorot conhecendo as actividades ilegais do seu parceiro israelita. Há quatro anos, várias organizações portuguesas, entre as quais o Comité de Solidariedade com a Palestina, incentivaram a empresa portuguesa a romper a sua cooperação com a Mekorot. Nessa altura, nem a EPAL nem o governo português quiseram sequer tornar público o acordo entre as duas companhias, apesar da iniciativa das organizações portuguesas, que lembraram a existência da campanha BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções) contra a colaboração entre empresas europeias e sociedades israelitas que se relacionam com os colonatos ilegais.

As directivas europeias prevêem que a partir de Janeiro de 2014 nenhuma entidade que mantenha de algum modo ligações com a colonização dos territórios palestinos ocupados ilegalmente possa candidatar-se a financiamentos da União Europeia.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, já tinha anulado a cerimónia de inauguração de um equipamento fornecido a Israel para inspeccionar as mercadorias no terminal de Keren Shalom, na fronteira de Gaza.

Outros países têm reagido às recomendações que agora vão ter força de lei na União Europeia. O governo do Reino Unido divulgou recentemente a seguinte advertência: “Os cidadãos europeus e as pessoas de negócios devem estar conscientes das possíveis consequências sobre a sua reputação se estiverem implicados em actividades económicas e financeiras com os colonatos israelitas, e das violações dos direitos das pessoas que elas possam conter”. “O Reino Unido tem uma posição clara sobre os colonatos israelitas: a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Gaza e os montes do Golã são territórios que Israel ocupa desde 1967. Os colonatos são ilegais segundo o direito internacional”.

A Roménia, pelo seu lado, proibiu os seus trabalhadores expatriados de trabalharem nas obras de construção dos colonatos, por serem ilegais.

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

ESQUERDA.NET | EPAL - MEKOROT

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