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Começou julgamento dos promotores da mobilização pró-democracia em Hong Kong

Quatro anos depois dos protestos conhecidos como Occupy Central ou “revolta dos guarda-chuvas”, em defesa de eleições diretas para o governador, os seus líderes podem ser condenados a sete anos de prisão.
"Queremos eleições livres!" foi a palavra de ordem dos acusados e apoiantes à entrada do tribunal esta segunda-feira em Hong Kong. Foto Martin Yip/Twitter.

O julgamento dos nove ativistas arrancou esta segunda-feira e com mais protestos à porta do tribunal. No banco dos réus encontram-se dois professores universitários, Chan Kin-man e Benny Tai, o pastor baptista Chu Yiu-ming, entre outros. Todos reclamam inocência face às acusações do governo, que redobrou a repressão política desde a mobilização de 2014.

“A razão deste protesto deve-se ao facto da China não ter honrado a promessa feita a Hong Kong de a deixar viver em democracia”, afirmou Chan, citado pelo Guardian. O apelo à ocupação da zona onde se encontram os edifícios governamentais do território sob administração chinesa encontrou eco no movimento estudantil. Durante 79 dias, milhares de pessoas acamparam no local em defesa de eleições diretas para o cargo de governador, chamando a atenção do mundo para a falta de democracia em Hong Kong.

Mais de 200 pessoas enfrentaram acusações pela participação no protesto. Muitas foram condenadas, impedidas de se candidatarem a empregos no setor público, e houve seis políticos eleitos que perderam os seus mandatos por apoiarem o movimento.

Para o diretor da Amnistia Internacional em Hong Kong, Mei-kei Tam, “esta acusação é um ato de retaliação para procurar silenciar o movimento pró-democracia”. A Amnistia apela à retirada das queixas e alerta para as consequências que esta acusação terá para a liberdade de expressão e de reunião pacífica no território.

Antes de comparecer ao julgamento, Chan Yiu-ming despediu-se dos seus alunos na universidade, afirmando que “só se não formos esmagados pela prisão e o julgamento e não ficarmos zangados e frustrados, é que podemos ficar mais fortes e inspirar muitas mais pessoas”.

 

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