Coletivos pela justiça climática juntam-se às manifs de dia 30

13 de setembro 2023 - 11:55

Casa para Viver, Planeta para Habitar" são dois lemas que irão coexistir na mobilização para as manifestações de 30 de setembro em várias cidades.

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Cartazes com os dois lemas da manifestação de 30 de setembro.
Cartazes com os dois lemas da manifestação de 30 de setembro.

Os coletivos pela justiça climática Climáximo e Greve Climática Estudantil anunciaram que irão juntar-se às manifestações "Casa para Viver", convocadas para 30 de setembro em várias cidades portuguesas. Assim, a luta pelo direito à habitação junta-se às lutas contra a crise climática e o aumento do custo de vida promovidas pela plataforma internacional Their Time to Pay e que convoca protestos para 30 de setembro em várias cidades europeias.

Numa ação conjunta de colagem de cartazes no Cais do Sodré esta segunda-feira, ativistas de vários movimentos explicaram a razão para a convergência das suas lutas. “A raiz destas crises, no fundo, é a mesma: este sistema capitalista que privilegia os interesses do lucro, os interesses privados de setores como o imobiliário ou as empresas de combustíveis fósseis”, afirmou Inês Teles, do coletivo Climáximo, à agência Lusa.

Segundo os organizadores, há já nove cidades a acolher as manifestações de 30 de setembro: Aveiro, Barreiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Guimarães, Lisboa e Porto. A ativista do Climáximo prevê uma jornada “histórica porque, pela primeira vez, o movimento pela habitação e o movimento pela justiça climática estão juntos numa só manifestação”.

Para Rita Silva, do movimento Vida Justa, “a vantagem é termos uma manifestação ainda mais viva, com mais pessoas. Há várias causas e problemas que são comuns e transversais uns aos outros”.

Catarina Bio, da Greve Climática Estudantil, acredita que o "colapso" do planeta agravará “todas as outras crises”, como a da habitação. “Os jovens sentem muito na pele estas duas crises”, acrescenta, contando que, “neste momento, há mais estudantes que não vão poder estudar exatamente por não terem habitação”, além dos que já terminaram os estudos e não conseguem agora encontrar habitação própria.

Juntar estas causas no mesmo protesto permite dar “um contexto mais real do que é a habitação no seu todo e de quanto o clima influi nela e vice-versa”, diz à Lusa Anselmo Cruz, da associação Habita, reconhecendo a tendência para “separar as duas questões quando elas fazem parte do mesmo problema”.